Mineira se casa com boneco e transmite ‘parto’ ao vivo de seu filho de pano

Com direito a parto natural acompanhado por médica e enfermeira, nasceu, no último sábado (21), o Marcelinho, “filho” da diarista mineira Meirivone Rocha, a Santinha, de 37 anos, com o seu marido, que, assim como a criança, é um boneco de pano. Em dezembro de 2021, ela “quebrou a internet” ao se casar com Marcelo, com direito a cerimônia completa e lua de mel em um motel.

Passado o parto, que foi transmitido ao vivo por uma rádio de Rio Paranaíba, cidade da região do Alto Paranaíba, Marcelinho já ganhou até certidão de nascimento nesta segunda-feira (23). Em entrevista a O TEMPO, Santinha acabou revelando que não é tão “santa” assim, já que, na verdade, se casou grávida, o que inclusive teria motivado a cerimônia ocorrida em dezembro.

“Como ele me engravidou, eu conversei com ele e chegamos ao consenso que tínhamos que casar para criar o Marcelinho e, também, o Diego e a Carol, que são os enteados do Marcelo, filhos do meu antigo casamento”, brinca a diarista se referindo aos seus dois filhos de verdade, já com 14 e 19 anos, respectivamente.

Durante os nove meses de gestação, ela disse ter evitado ir a festas, passar frio e tomado muito cuidado durante as faxinas que faz para sustentar os filhos. “O Marcelo sempre acompanhou em tudo, andei com a barriga pela cidade, mas só de vez em quando, porque ela estava pesada. Eram dois travesseiros com uma cinta que eu fiz. Ficou bonitinho, redondinho, igual uma grávida de verdade”, detalha.

O parto aconteceu na sala de sua casa. O cenário para simular o hospital foi doado por um amigo que trabalha com decorações para festas. A maca e acessórios hospitalares, como medidor de pressão, soro, injeção e jaleco, foram emprestados por uma farmácia da cidade, enquanto a médica e a enfermeira foram interpretadas por duas amigas de Meirivone.

Na vida real, ela conta com todo o apoio de seu namorado, Fabrício, de 40 anos, esse, de carne e osso. Juntos há sete meses, ela conta que ele sempre a apoiou, desde o casamento: “Foi ele que tirou as fotos da noite de núpcias com o Marcelo”. “Ele nunca falou que eu sou doida, me ama muito e eu amo muito ele. Carrega o boneco comigo para todo lado, não tem vergonha. Ontem passeamos com o Marcelinho de carro, com uma cadeirinha de criança. Achou lindo, pegou no colo. No nosso quarto, sempre fica o Marcelo junto na cama e o Marcelinho no bercinho”, detalha a diarista.

“Sou uma artista, e só quero fazer as pessoas rirem”

Indagada sobre o que a levou fazer tudo isso, desde o casamento e, agora, com o nascimento de seu filho de pano, Santinha confessa que o objetivo era chamar atenção, ganhar a fama para, quem sabe, conseguir realizar o seu sonho de ter a casa própria. É claro, tudo isso transmitindo para as pessoas um pouquinho da alegria com que ela leva a vida.

“Sou faxineira, lutadora e, agora, mais conhecida que uma prata de um real. Mas o meu rendimento continua o mesmo, continuo pagando aluguel na maior peleja. Mas a gente vai trabalhando, jutando um dinheirinho e pagando tudo, água, luz e internet pros meus filhos. O mercado é o que mais tem me deixado um pouco apertada”, conta.


Desde o sucesso de seu casamento, ela consegue fazer algumas parcerias com comércios locais em troca de publicidades em vídeos publicados em seus canais do Tik Tok, Instagram e Facebook. Fazendo as gravações quase diariamente na frente de comércios, ela consegue garantir algumas parcerias e conta, orgulhosa, que já ganhou R$ 200 de amigos de um depósito de materiais de construção.

“De vez em quando eu levo o boneco no restaurante, arrumo comida no nosso prato para tirar foto como se fossemos comer juntos. É claro que o Marcelo não come, aí eu passo a parte dele para mim. O povo acha engraçado, pede para tirar foto com a gente”, lembra.


O sucesso também rendeu a Meirivone um espaço na rádio da cidade, com o programa “Domingão com a Santinha”, que é mantido com ajuda de alguns patrocinadores.

“A ideia do casamento surgiu durante a pandemia, quando as pessoas estava presas, longe de suas famílias. Fiz para alegrar as pessoas, para elas rirem. Temos um mundo muito difícil, com pessoas más, cruéis, e tantas notícias ruins. A minha notícia pelo menos é boa, é uma alegria para quem vê”, argumenta.


Mas, como de costume, no mundo da internet nem tudo é feito de risadas. Algumas pessoas passaram a atacar Santinha, a chamando de doida e outras coisas.

“Peço que as pessoas não critiquem, mas que elogiem a minha arte. Eu sou uma artista, uma pessoa de coração bom e uma guerreira, uma mãe solteira que criou dois filhos sozinha. Sou faxineira, levanto cedo e volto tarde, lutando pra pagar as minhas contas e, quem faz isso tudo, não é doida não. Isso é um projeto meu com a ajuda dos meus amigos. Eu pus vida no Marcelo e no Marcelinho, do meu jeitinho, mas eu coloquei. É teatro, é alegria, é paz. Mas tenho recebido tanta crítica que fico igual uma doida, mas faço disso um degrau para o meu sucesso e minha alegria. E só para constar, eu tenho amor pela minha família de pano, tenho até ciúme, morro de medo de alguém me roubar eles”, finaliza, sempre com muito humor, a artista Santinha.