Moçambique: vítimas de ciclone são forçadas a trocar sexo por comida

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Philimon Bulawayo/Reuters

Vítimas do ciclone Idai, que atingiu Moçambique em março e deixou mais de 800 mortos na África, estão sendo forçadas a trocar sexo por comida, de acordo com uma denúncia feita pela Human Rights Watch.

De acordo com a denúncia, líderes das comunidades atingidas pelo ciclone estão extorquindo dinheiro das vítimas para colocá-las nas listas de ajuda humanitária e mulheres que não tinham o dinheiro foram forçadas a ter relações sexuais com os líderes locais em troca de um saco de arroz.

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Uma voluntária na ajuda humanitária em Moçambique informou a HRW que em algumas aldeias, mulheres e crianças não veem comida há semanas. “Estão dispostas a fazer qualquer coisa por comida, inclusive dormir com os homens que são responsáveis pela distribuição de alimentos”, revelou. 

Segundo a publicação da organização, um oficial de uma das comunidades afirmou que o administrador do posto humanitário de Tica convocou o líder da comunidade para um interrogatório, mas que nenhuma medida foi tomada contra o mesmo. 

Outro líder afirmou à HRW que os líderes da comunidade se reuniram com o mesmo homem e que ele negou as alegações. 

“As autoridades devem investigar imediatamente as denúncias e punir adequadamente qualquer pessoa que se sirva da sua posição de poder para explorar e abusar de mulheres”, afirmou Dewa Machiga, representante da HRW na África.

De acordo com a agência de notícias Reuters, a ONU informou nesta sexta-feira que irá investigar os casos. 

“Como sobre qualquer relato de exploração ou abuso sexual, estamos agindo rapidamente para acompanhar estas alegações, inclusive com as autoridades relevantes”, disse a Agência das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Unocha, na sigla em inglês) em um comunicado.

“A ONU tem uma política de tolerância zero com exploração ou abuso sexual. Não é, e nunca será, aceitável que qualquer pessoa em uma posição de poder abuse dos mais vulneráveis, ainda menos em sua hora de maior necessidade.” (R7)

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