Morre segundo indígena vítima de covid-19 na Bahia

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Foto: Divulgação

Internado em estado grave, um indígena ancião de etnia pataxó morreu esta semana num hospital público de Porto Seguro, no Sul da Bahia. Falecido na terça-feira (7), Valmir Nunes Alves, de 78 anos, era residente na terra indígena Coroa Vermelha, na cidade de Santa Cruz Cabrália.

A vítima chegou a ficar hospitalizada por duas semanas e foi entubado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu. As informações são da Prefeitura de Cabrália, da Associação Nacional de Ação Indigenista (Anaí) e do Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (Mupoiba).

A primeira vítima indígena da covid-19 no estado também era homem idoso e morador da região sul, mais precisamente da terra indígena Tupinambá de Olivença, em Ilhéus. O falecimento aconteceu em maio, após um surto de contaminação no Hospital da Costa do Cacau. A princípio, o homem havia sido internado com quadro de derrame cerebral (AVC) e teria se infectado na unidade, hipótese confirmada pela secretaria municipal de saúde.

Os movimentos indígenas vem denunciando o descaso com a saúde dos povos tradicionais, sobretudo com relação aos idosos, apontando o risco de perda da transmissão de culturas ancestrais, como línguas e festas.

Até o momento, a morte da segunda vítima ainda não foi computada pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), ligada ao Ministério da Saúde, que registra apenas um óbito na Bahia. A Prefeitura de Cabrália emitiu nota lamentando a morte de Valmir Nunes.

Monitoramento de casos 

De acordo com o último boletim da Anaí, já são 90 casos confirmados de covid-19 entre povos indígenas no estado, dos quais 63 já são considerados recuperados e 25 pessoas ainda estão com o vírus ativo no corpo. Outros 70 casos são considerados suspeitos. 

A maioria das ocorrências foi registrada na terra indígena Tupinambá de Olivença, que acumula 37 casos confirmados da doença e 24 pessoas com suspeita. O informativo da organização chama atenção para a chegada do vírus no Norte da Bahia, no povo indígena Tumbalalá, onde já há quatro casos de infectados da mesma família. Destes, dois vivem na aldeia Cajueiro e outros dois na Pedra Branca, no município de Curaçá.

A associação denuncia o engavetamento do reconhecimento da área como terra indígena pertencente aos Tumbalalá e ainda o descaso da fiscalização da prefeitura de Curaçá quanto à existência de garimpo ilegal na região. De acordo com relato da comunidade à Anaí, foram os próprios indígenas que pagaram pelos testes que confirmaram o diagnóstico da doença. Felizmente, a família infectada está bem e a previsão é de cura.

Terra IndígenaConfirmadosAtivosÓbitosSuspeitosRecuperados
Tumbalalá4400200
Tupinambá de Olivença370012436
Caramuru Paraguaçu3100002
Coroa Vermelha19312015
Barra Velha do Monte Pascoal8800*00
Águas Belas2200*00
Comexatibá17700*10
Totais902527063

Ação

Após arrecadações voluntárias, a Anaí distribuiu nesta semana 23 caixas com cem escudos de proteção facial, 3,2 mil máscaras feitas por costureiras do coletivo Delas para Todxs, além de 8,4 mil kits de materiais para confecção de máscaras. Estes materiais foram adquiridos como resultado da campanha “150 fotos pela Bahia, da qual o CORREIO participa. A campanha, encerrada em 5 de julho, reuniu fotógrafos de todo o estado que venderam sua arte para ajudar famílias impactadas pela pandemia. (Correios)

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