MP-BA aponta que ex-diretora de presídio mandou sequestrar jovem que fazia denúncias nas redes sociais

Crime ocorreu em Eunápolis após publicações chamando a servidora de “miliciana” e denunciando corrupção; vítima está desaparecida desde junho

Foto: Reprodução

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou a ex-diretora do presídio de Eunápolis, Joneuma, por envolvimento no sequestro de Alan Queven dos Santos Barbosa, de 22 anos. O crime teria sido motivado por publicações feitas pela vítima em uma página de fofoca nas redes sociais, onde acusava a servidora de atuar como “miliciana” e de facilitar esquemas de corrupção dentro da unidade prisional.

Segundo documentos obtidos pelo Bahia Notícias, parceiro do JornalZero75, o inquérito revela que Joneuma teria pedido diretamente ao seu companheiro, conhecido como “Dadá”, apontado como líder da facção Primeiro Comando de Eunápolis, que “desse um jeito” em Alan, em resposta às postagens que a expunham publicamente.

Interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça mostram a ex-diretora incomodada com as denúncias, que também incluíam suposto favorecimento a candidatos políticos. Dias após a identificação de Alan como responsável pela página, ele foi sequestrado em sua residência, no dia 7 de junho de 2024, por dois homens ligados à facção, um deles identificado como Marcos Vinicius Tavares Ferreira Santos, o “Gago”.

A vítima teria sido levada para um “desembolo”, local controlado pela facção, conhecido por funcionar como tribunal do crime. De acordo com o MP-BA, nesses espaços, condenações extrajudiciais resultam geralmente em execuções brutais, a pauladas ou pedradas, como forma de intimidação e controle.

Horas antes do desaparecimento, Alan chegou a ser detido durante uma operação de busca e apreensão por suspeita de administrar o perfil investigado por disseminar injúrias e notícias falsas. Após ser liberado, retornou para casa, mas, segundo testemunhas, desapareceu ao sair para atender alguém na porta, por volta do meio-dia.

Desde então, Alan nunca mais foi visto, e seu corpo não foi localizado, caracterizando o caso como desaparecimento forçado. O Ministério Público segue com a apuração para responsabilizar todos os envolvidos no crime.

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