O Ministério Público da Bahia solicitou à Justiça o arquivamento do inquérito policial que apura o assassinato de Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo.
A decisão foi tomada após a conclusão das diligências da Polícia Civil da Bahia, que, segundo o MP-BA, não conseguiu identificar os autores ou possíveis mandantes do crime, mesmo após anos de investigação.
De acordo com o órgão, a ausência de provas impede o oferecimento de denúncia e a abertura de ação penal.
Binho foi morto a tiros em 2017, no município de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.
Familiares e lideranças do Quilombo Pitanga dos Palmares manifestaram indignação com o pedido de arquivamento.
Segundo Jurandir Pacífico, irmão da vítima, imagens e informações sobre um veículo que teria sido usado no crime foram entregues às autoridades, mas, na avaliação da família, não teriam sido devidamente aprofundadas.
Diante do pedido de arquivamento na esfera estadual, a defesa da família, representada pelo advogado Hedio Silva Jr., estuda solicitar o Incidente de Deslocamento de Competência (IDC). A medida pode transferir o caso para a esfera federal, sob responsabilidade da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.
A estratégia busca garantir a continuidade das investigações e apurar se houve eventual falha ou omissão por parte das instituições estaduais.
Binho do Quilombo foi assassinado dentro do próprio veículo, atingido por 12 disparos de arma de fogo. Ele era uma liderança ativa na defesa do território contra impactos ambientais e fundiários.
Seis anos após o crime, sua mãe, a ialorixá Bernadete Pacífico, conhecida como Mãe Bernadete, também foi executada no mesmo quilombo. O julgamento dos acusados pela morte dela ainda aguarda desfecho.





