Pintada de preto, deputada Fabiana Bolsonaro ironiza Erika Hilton: “Posso presidir comissão sobre racismo?”

Ato durante sessão gera acusações de racismo e transfobia e deve ser analisado pelo Ministério Público

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Uma manifestação realizada pela deputada estadual Fabiana Bolsonaro, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), gerou forte repercussão nesta quarta-feira (18). Durante sessão, a parlamentar pintou o rosto e os braços de preto enquanto fazia um discurso crítico à escolha da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para presidir a Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados.

Ao se pronunciar, Fabiana afirmou que seu ato era uma forma de questionar a representatividade em espaços políticos. Em sua fala, comparou a situação a uma pessoa branca que se pinta de negra, argumentando que isso não mudaria sua identidade nem permitiria compreender experiências de quem sofre racismo.

Veja:

A declaração provocou reação imediata de parlamentares presentes. Deputados classificaram o ato como ofensivo, apontando que a prática remete ao chamado “blackface”, historicamente associado a manifestações racistas.

A deputada Mônica Seixas (PSOL-SP) interrompeu a sessão e afirmou que a atitude pode ser enquadrada como crime. Já a deputada Ediane Maria (PSOL-SP) classificou o episódio como “racismo televisionado” e informou que apresentou denúncia ao Ministério Público de São Paulo.

Nas redes sociais, Erika Hilton também repercutiu o caso ao compartilhar conteúdos relacionados à denúncia.

A legislação brasileira prevê punições para práticas discriminatórias. A Lei nº 7.716/1989 trata de crimes resultantes de preconceito de raça ou cor. Além disso, desde 2019, o Supremo Tribunal Federal passou a equiparar atos de homofobia e transfobia a esse tipo de crime.

O caso deve ser analisado pelas autoridades competentes e segue gerando debate sobre representatividade, respeito e limites no discurso político.

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