Piscicultura paulista acende alerta e pede bloqueio de tilápia importada do Vietnã

Produtores citam risco sanitário e concorrência desigual e defendem mudanças nas regras a partir de 2026.

A Tilápia habita águas lênticas de lagoas e represas. É adaptável à água salgada.

A cadeia produtiva da tilápia em São Paulo pode passar por uma reviravolta nos próximos meses. Representantes do setor solicitaram ao Governo do Estado a suspensão da importação de filé de tilápia proveniente do Vietnã, alegando riscos sanitários e desequilíbrio econômico frente à produção nacional. O pedido foi formalizado junto à Secretaria de Agricultura e Abastecimento e reacendeu o debate sobre proteção do mercado interno.

Vírus preocupa criadores

O principal ponto de atenção envolve o *Tilapia Lake Virus (TiLV), agente infeccioso já identificado em países asiáticos e que ainda não registra presença confirmada nos plantéis paulistas. Produtores temem que a entrada do vírus por meio de pescado importado comprometa a sanidade das criações e provoque efeitos em cadeia na piscicultura estadual.

Estados como Santa Catarina já adotaram restrições com base em critérios sanitários, movimento que agora é visto por entidades do setor como referência para São Paulo.

Concorrência e carga tributária

Além do aspecto biológico, a discussão também passa pelo campo econômico. Piscicultores apontam diferença de tributação entre o produto local e o importado. Enquanto a produção interna e interestadual sofre incidência de impostos, o filé estrangeiro chega ao mercado com vantagens fiscais, o que, segundo representantes do segmento, gera concorrência desequilibrada e pressiona preços.

Reflexos no emprego e nos investimentos

O estado ocupa posição de destaque na produção nacional de tilápia, atrás apenas do Paraná, e concentra indústrias, frigoríficos e milhares de empregos diretos e indiretos. Lideranças do setor avaliam que, sem ajustes regulatórios, pode haver redução de investimentos, desaceleração industrial e impacto na geração de renda em municípios que dependem da atividade.

Diante do cenário, a expectativa é de que o tema avance na agenda pública ao longo de 2026, com possível revisão de normas sanitárias e fiscais. Para os produtores, a decisão será determinante para o equilíbrio entre segurança sanitária, competitividade e sustentabilidade econômica da piscicultura paulista.

*Até o momento, não há evidências científicas de que o Tilapia Lake Virus (TiLV) infecte ou cause doença em seres humanos.

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