O número de pessoas que enfrentam diferentes formas de pobreza no mundo chegou a 1,2 bilhão em 2026, um aumento de 51,5 milhões em relação ao ano anterior. Os dados são da atualização do Índice Global de Pobreza Multidimensional, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) em parceria com a Universidade de Oxford.
O indicador vai além da renda e considera fatores como acesso à saúde, educação, água potável, eletricidade e outros serviços essenciais. Mais da metade das pessoas afetadas são crianças, enquanto 83% vivem em áreas rurais. O levantamento reúne informações de 108 países em desenvolvimento, que representam 78% da população mundial.
Segundo o administrador do Pnud, Alexander De Croo, os números refletem a combinação de problemas como fome, dificuldades de acesso à educação e falta de infraestrutura básica. O relatório destaca a necessidade de medidas que enfrentem essas diferentes dimensões da pobreza.
Entre os países de língua portuguesa analisados, Moçambique registra o maior percentual de pessoas em situação de pobreza multidimensional grave, com 38,8%, seguido por Guiné-Bissau (35,9%), Angola (29,6%), Timor-Leste (17,4%), São Tomé e Príncipe (2,1%) e Brasil (0,9%).
O relatório ressalta, porém, que os dados foram coletados em períodos distintos. Para Moçambique e Angola, as pesquisas são de 2020 a 2025. Nos demais países, incluindo o Brasil, os números têm como base levantamentos realizados entre 2014 e 2019.
As diferenças entre os países refletem desafios econômicos, vulnerabilidade climática e limitações de infraestrutura. No Brasil, embora o percentual apresentado seja menor que o dos demais países lusófonos citados, as desigualdades sociais permanecem como um desafio.






