A divulgação de mensagens trocadas entre o ministro do STF, Alexandre de Moraes, e o banqueiro Daniel Vorcaro provocou reação de parlamentares em Brasília. O contato teria ocorrido no mesmo dia em que Vorcaro seria preso pela Polícia Federal pela primeira vez, em novembro de 2025.
Deputados da oposição criticaram o episódio e chegaram a pedir a prisão do magistrado. O deputado Nikolas Ferreira afirmou que a situação seria grave e defendeu que Moraes responda judicialmente pelos atos.
De acordo com informações obtidas a partir do celular de Vorcaro, mensagens indicariam que ele teria mantido contato com o ministro sobre assuntos relacionados a investigações e até sobre a lista de convidados de um fórum jurídico realizado em Londres, em 2024. Em um dos registros, o banqueiro teria mencionado que o empresário Joesley Batista deveria ser “bloqueado” do evento.
Para manter o sigilo das conversas, os dois teriam utilizado um método incomum: escreviam textos em blocos de notas do celular, tiravam capturas de tela e enviavam as imagens usando o recurso de visualização única. Por isso, apenas as anotações feitas por Vorcaro permaneceram registradas no aparelho.
Outros parlamentares também reagiram ao caso. O deputado Marcel van Hattem questionou a conduta do ministro, enquanto o senador Eduardo Girão afirmou que seu partido avalia possíveis ações institucionais após a revelação das mensagens.
Já o deputado Gustavo Gayer citou um contrato de R$ 129 milhões entre o banco de Vorcaro e um escritório de advocacia ligado à esposa do ministro.
Parlamentares da base governista também defenderam esclarecimentos. O deputado Chico Alencar sugeriu a criação de um código de ética para ministros do STF, enquanto Tarcísio Motta afirmou que o caso precisa ser investigado com transparência.
O episódio também impulsionou pedidos de investigação no Congresso. Já foram protocolados dois requerimentos de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) relacionados ao caso envolvendo o Banco Master, um apresentado pelo deputado Rodrigo Rollemberg e outro pelo deputado Carlos Jordy. Apesar disso, a instalação da comissão ainda enfrenta resistência entre lideranças do Legislativo.





