Prefeitos e vices excluídos do Bolsa Família tinham bens e rendas incompatíveis com o programa

Levantamento aponta gestores que declararam patrimônio com imóveis, veículos e até criação de animais de alto valor

Prefeitos e vice-prefeitos que perderam o benefício do Bolsa Família após assumirem o comando de prefeituras em 2024 declararam à Justiça Eleitoral bens de alto valor, incompatíveis com o perfil exigido pelo programa social. Um levantamento do GLOBO identificou casos de gestores que incluíram em seu patrimônio animais de grande porte avaliados em R$ 250 mil, além de propriedades rurais e veículos de até R$ 90 mil.

O Bolsa Família é destinado a famílias com renda mensal de até R$ 218 por pessoa, faixa considerada de pobreza. Diante da incompatibilidade de renda, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) suspendeu, em janeiro, os pagamentos às famílias que tinham entre seus membros prefeitos, vice-prefeitos ou vereadores eleitos em 2024, uma vez que os salários desses cargos ultrapassam o limite permitido.

De acordo com o MDS, o pente-fino identificou 1,1 mil vereadores, 19 vice-prefeitos e 7 prefeitos que foram excluídos do programa. Os nomes vieram a público em outubro, após um pedido via Lei de Acesso à Informação (LAI).

Em 375 casos, o próprio beneficiário era o político eleito sendo 7 vice-prefeitos e 368 vereadores. Um exemplo é o da vice-prefeita de Senhora dos Remédios (MG), Renata do Táxi (Solidariedade), que chegou a doar R$ 5 mil para a campanha de seu colega de chapa, mesmo tendo recebido R$ 7,1 mil do Bolsa Família apenas em 2024. Especialistas afirmam que situações como essa podem servir de alerta para a fiscalização do programa.

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