Professor supera crises de psoríase com ajuda do perdão: “Cuidar da mente é essencial”

História de Rafael Mendes mostra como saúde emocional e prática do perdão podem impactar no controle da psoríase e até na saúde do coração.

Imagem: Reprodução

Aos sete anos de idade, o professor de história Rafael Mendes, hoje com 34, recebeu o diagnóstico de psoríase, uma doença inflamatória crônica que provoca lesões na pele. O início do problema coincidiu com um período de mudanças familiares, marcado pela mudança de cidade e pelo afastamento do pai.

“Meu pai precisou ficar para trás para encerrar alguns negócios. Aquele período longe dele, longe dos meus amigos, em uma escola nova, foi muito difícil de processar para uma criança”, relata Rafael.

O tratamento dermatológico foi seguido de forma irregular, e as lesões pioravam nos momentos de maior estresse. “A psoríase era um termômetro da minha saudade. Minha mãe sempre dizia que as lesões pioravam quando eu ficava triste ou quando as brigas por telefone com meu pai eram mais frequentes”, lembra.

Com o retorno do pai à convivência familiar, aos 12 anos, houve melhora. Mas, na adolescência, o bullying escolar agravou novamente o quadro. “Os colegas me chamavam de ‘cascudo’. Eu me isolava, não queria ir às aulas, não queria praticar esportes. Entrei em um ciclo de ansiedade e vergonha que só piorava a minha pele”, conta.

Aos 25 anos, após uma crise que afetou quase 80% do corpo, Rafael buscou não apenas tratamento dermatológico, mas também terapia psicológica. “Perdoar aqueles colegas, perdoar a situação, perdoar a mim mesmo por ter me fechado para o mundo foi a chave. Hoje, minha psoríase está controlada e eu entendo que cuidar da mente é parte essencial do tratamento”, declara.

A relação entre psoríase e emoções

A psoríase não é contagiosa e está relacionada ao sistema imunológico. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), fatores como estresse, ansiedade e traumas podem atuar como gatilhos da doença.

“O eixo cérebro-pele é bem estabelecido. Situações de alto estresse emocional liberam mediadores inflamatórios que podem exacerbar a doença”, explica o dermatologista Paulo Ferreira, membro da SBD.

A ciência do perdão

Estudos recentes reforçam que perdoar pode trazer benefícios concretos à saúde. Uma pesquisa da USP (2023) mostrou que intervenções baseadas em perdão e gratidão reduziram a pressão arterial e melhoraram a função cardiovascular em pacientes com hipertensão.

“Relembrar constantemente uma mágoa ou evento estressante coloca o corpo em estado de alerta crônico, aumentando a produção de cortisol e adrenalina. Isso sobrecarrega o sistema cardiovascular”, afirma a cardiologista Camila Oliveira, do InCor.

Para a psicóloga Claudia Martins, trabalhar o perdão é libertar-se. “Não significa absolver o outro, mas sim livrar-se da carga tóxica das emoções negativas. É um processo de desapego para a própria saúde.”

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