Lula e Flávio Bolsonaro apresentam propostas diferentes para ajuste fiscal e economia

Candidatos divergem sobre gastos públicos, impostos, investimentos e relações de trabalho, mas apontam a dívida pública como um desafio para o país.

(Ricardo Stuckert/PR/Agência Senado/Montagem/Flickr)

As propostas econômicas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentam diferenças sobre o papel do Estado, o controle das contas públicas e as estratégias para estimular o crescimento econômico. Enquanto Lula defende a continuidade de investimentos públicos e políticas sociais, Flávio propõe reduzir despesas administrativas, rever a regra fiscal e diminuir a carga tributária.

Apesar das abordagens distintas, as duas candidaturas reconhecem a necessidade de enfrentar o avanço da dívida pública. O principal contraste está nos caminhos apresentados para equilibrar as contas do governo sem comprometer a atividade econômica.

Ajuste fiscal e gastos públicos

Lula defende a manutenção do arcabouço fiscal, mecanismo que estabelece limites para o crescimento das despesas públicas. A estratégia combina controle dos gastos, aumento da arrecadação e crescimento econômico para melhorar os resultados fiscais.

A proposta também prevê a continuidade de investimentos em infraestrutura, reindustrialização, inovação e energia renovável. A avaliação do governo é que o fortalecimento da atividade econômica pode ampliar a arrecadação e contribuir para o financiamento das políticas públicas.

Flávio Bolsonaro propõe criar uma nova regra fiscal vinculada à trajetória da dívida pública, além de reduzir despesas administrativas, ministérios e cargos comissionados.

Em agosto, a coordenadora da equipe econômica do candidato, Daniella Marques, afirmou, em entrevista à GloboNews, que o plano prevê um ajuste fiscal equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 190 bilhões, considerando o PIB de 2025.

O detalhamento das medidas de contenção de despesas e seus possíveis efeitos sobre os serviços públicos permanece entre os pontos que precisam ser esclarecidos. No último dia 9, Flávio negou que pretenda acabar com programas sociais, como o Bolsa Família e o Farmácia Popular.

Impostos e investimentos

Na área tributária, Lula defende um sistema mais progressivo, com participação proporcionalmente maior das rendas mais altas no financiamento do Estado. O governo também pretende dar continuidade aos investimentos do Novo PAC e às políticas de incentivo à indústria nacional.

Flávio prioriza a redução de impostos, a simplificação regulatória e a diminuição dos custos para as empresas. Para o agronegócio, suas propostas incluem melhorias na logística, ampliação da capacidade de armazenamento de safras, seguro rural e estímulo à produção nacional de fertilizantes.

A execução das duas estratégias dependerá dos resultados fiscais. Na proposta de Flávio, a redução de tributos exigiria medidas para compensar parte das possíveis perdas de arrecadação. Na de Lula, o equilíbrio das contas dependeria da combinação entre crescimento econômico, arrecadação e controle das despesas.

Trabalho, renda e programas sociais

Lula defende a valorização real do salário mínimo e a redução da jornada semanal para 40 horas, sem diminuição salarial. A agenda também prevê a manutenção dos direitos trabalhistas e a ampliação da proteção social.

Flávio, por sua vez, enfatiza a redução dos custos de contratação e a flexibilização de modalidades específicas de trabalho. Os efeitos dessas medidas sobre salários, formalização e despesas das empresas dependerão das regras que venham a ser adotadas.

Na área social, Lula pretende manter e aperfeiçoar programas como Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida, além de políticas de combate à fome. A equipe de Flávio também declarou intenção de preservar iniciativas como Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e Farmácia Popular.

A questão central para ambas as propostas é como financiar esses programas diante das metas de ajuste fiscal e das prioridades de cada governo.

Indicadores econômicos dos governos anteriores

Entre 2019 e 2022, durante o governo Jair Bolsonaro, o Brasil enfrentou a pandemia de Covid-19 e os efeitos da guerra na Ucrânia, que pressionaram a atividade econômica e os preços. O PIB cresceu, em média, cerca de 1,4% ao ano no período. A gestão adotou medidas emergenciais de auxílio, promoveu privatizações e concessões e encerrou 2022 com a dívida bruta em torno de 72% do PIB, em um contexto que também envolveu o adiamento do pagamento de precatórios.

No terceiro mandato de Lula, entre 2023 e 2025, o PIB cresceu, em média, aproximadamente 2,9% ao ano, considerando os dados revisados do período. O governo ampliou investimentos em infraestrutura, retomou políticas sociais, valorizou o salário mínimo e aprovou a reforma tributária sobre o consumo. O desemprego chegou a 5,6% em 2025, segundo o IBGE.

Na área fiscal, a dívida pública voltou a crescer durante o terceiro mandato de Lula, atingindo 82,9% do PIB em agosto de 2026, conforme os dados apresentados no levantamento.

A comparação entre os períodos exige considerar fatores como a pandemia, o cenário internacional, os juros e as medidas adotadas em cada gestão. Os indicadores apontam trajetórias distintas de crescimento, emprego e endividamento, mas não permitem atribuir todos os resultados exclusivamente às decisões de cada presidente.

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