PT articula filiação de Boulos, Erika Hilton e Janones de olho nas eleições de 2028

Partido dos Trabalhadores avalia atrair parlamentares de outras legendas para ampliar as opções de candidaturas municipais; mudanças dependem de acordos partidários e regras eleitorais

Guilherme Boulos, Erika Hilton e André Janones - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil / Divulgação / Senado / Marina Ramos/Câmara dos Deputados

O Partido dos Trabalhadores (PT) articula uma estratégia para atrair lideranças de outras legendas e ampliar suas opções de candidaturas nas eleições municipais de 2028. Entre os nomes citados nas conversas estão os parlamentares Guilherme Boulos, Erika Hilton e André Janones. Segundo informações divulgadas sobre a articulação, o partido iniciou as conversas antes do segundo turno das eleições presidenciais. Naquele momento, dirigentes petistas também avaliavam alternativas para reorganizar a esquerda brasileira diante da possibilidade de derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Uma das propostas discutidas previa aproximar PT, PCdoB, PV e PSOL por meio de uma federação partidária. No entanto, a iniciativa enfrentava divergências internas entre as legendas.

Três nomes no radar do PT
Guilherme Boulos e Erika Hilton são filiados ao PSOL, enquanto André Janones integra a Rede Sustentabilidade. A aproximação com os três parlamentares poderia ampliar as alternativas do PT para disputas municipais em diferentes regiões do país. Boulos disputou a Prefeitura de São Paulo em 2024, mas perdeu o segundo turno para Ricardo Nunes. Posteriormente, assumiu o cargo de ministro no governo Lula e manteve presença no cenário político nacional.

Erika Hilton, deputada federal por São Paulo, também integra o grupo de nomes mencionados nas conversas. Antes das eleições, ela e Boulos já discutiam a possibilidade de aproximação com o PT, em meio ao debate sobre uma eventual federação entre os partidos. Já André Janones, deputado federal por Minas Gerais, aparece entre os possíveis nomes para uma futura disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte.

Mudanças partidárias dependem de autorização
A eventual transferência dos parlamentares enfrenta obstáculos políticos e jurídicos. Como possuem mandatos eletivos, eles precisam observar as regras de fidelidade partidária para mudar de legenda sem correr o risco de perder os cargos. Caso não obtenham autorização das siglas de origem ou não se enquadrem em uma hipótese legal que permita a mudança, os parlamentares poderão precisar aguardar uma janela partidária aplicável às suas situações. A legislação eleitoral prevê períodos e condições específicos para a troca de partido. Por isso, a viabilidade de cada transferência dependerá das regras vigentes e das circunstâncias de cada parlamentar.

Articulação mira as eleições municipais
A aproximação com Boulos, Erika Hilton e Janones faz parte de uma discussão mais ampla sobre o futuro da esquerda e a formação de candidaturas competitivas em 2028. Até que as conversas avancem, porém, eventuais filiações permanecem no campo das articulações políticas. Não há, no material apresentado, confirmação de que os três parlamentares tenham decidido deixar suas atuais legendas.

google news
senac