Raia Drogasil adota escala 5×2 em todas as lojas enquanto debate sobre fim da jornada 6×1 avança no Brasil

Mudança mantém carga semanal de 44 horas e ocorre em meio às discussões sobre redução da jornada de trabalho no país

A RD Saúde, grupo responsável pelas redes Raia Drogasil e Drogasil, passou a adotar a escala 5×2 em todas as mais de 3.500 unidades espalhadas pelo Brasil. A mudança altera a rotina dos funcionários, que agora trabalham cinco dias e folgam dois por semana, mantendo, no entanto, a carga horária de 44 horas semanais prevista pela legislação trabalhista.

Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, a empresa afirmou que conseguiu reorganizar equipes e turnos sem aumentar os custos operacionais.

A adoção do novo modelo acontece em meio ao debate nacional sobre mudanças nas jornadas de trabalho, especialmente em relação ao fim da escala 6×1. Em diversos países, o sistema 5×2 já é utilizado como alternativa para melhorar o equilíbrio entre trabalho e qualidade de vida.

O conselheiro da RD Saúde e presidente do conselho consultivo do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), Antônio Carlos Pipponzi, afirmou que a decisão acompanha uma tendência internacional e também busca fortalecer a competitividade da empresa na contratação e retenção de profissionais.

Segundo ele, uma eventual redução obrigatória da jornada semanal de 44 para 40 horas poderia gerar impactos financeiros para pequenas e médias empresas do varejo farmacêutico. Pipponzi defendeu que a adoção da escala 5×2 ocorra de forma espontânea pelas empresas, como estratégia de valorização dos trabalhadores e redução da rotatividade.

Enquanto isso, o debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou força em Brasília. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou que houve um acordo entre o governo federal e parlamentares para avançar nas propostas que reduzem a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso e sem redução salarial.

A discussão envolve Propostas de Emenda à Constituição (PECs) e também um projeto de lei enviado pelo Executivo para adaptar a legislação trabalhista às mudanças previstas.

Participaram das discussões o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. Segundo Hugo Motta, a intenção é garantir mais qualidade de vida aos trabalhadores e segurança jurídica para empresas e empregados.

O texto também prevê que situações específicas de diferentes setores sejam negociadas por meio de convenções coletivas.

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