São João Inclusivo: Bahia aposta em protocolo sensorial para acolher crianças autistas em 2025

Com base em dados inéditos do IBGE, festas juninas começam a se adaptar para integrar público neurodivergente e famílias atípicas

- Foto: Divulgação

Em meio aos preparativos para as tradicionais celebrações de São João, a Bahia dá um passo importante rumo à inclusão em 2025. Além de preservar a cultura nordestina, o estado começa a implantar protocolos sensoriais adaptados, focados na participação de crianças neurodivergentes e de famílias atípicas.

O movimento de inclusão vem ganhando força após a divulgação de números inéditos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontam que 2,4 milhões de pessoas vivem com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil — o que representa 1,2% da população. Entre essas pessoas, 1,4 milhão são homens e 1 milhão, mulheres. O levantamento também revela um pico de 2,6% na faixa etária de 5 a 9 anos, o que significa que 1 em cada 38 crianças brasileiras está dentro do espectro.

Na Bahia, uma das iniciativas pioneiras nesse sentido é o São João Inclusivo promovido pelo Espaço Gira Mundo, em Lauro de Freitas. No próximo dia 18 de junho, o local realiza mais uma edição especial do “Arraiá para Crianças Especiais”, com adaptações pensadas para minimizar estímulos sensoriais que podem causar desconforto em crianças com TEA.

Enquanto o restante do Nordeste se prepara para festas com música alta, fogos de artifício e grandes aglomerações, o Espaço Gira Mundo propõe uma experiência junina acolhedora, segura e inclusiva. Entre as medidas adotadas estão a redução do volume das músicas, o uso controlado de luzes e a oferta de áreas de escape sensorial.

“O Censo mostra que a exclusão cultural ainda é uma realidade para milhões de pessoas no Brasil. Nosso São João prova que é possível transformar uma tradição em um ambiente de acolhimento e respeito às diferenças”, destaca Manoela Guimarães, fundadora do Espaço Gira Mundo.

A iniciativa tem chamado a atenção de outras cidades baianas e pode servir de modelo para que o São João de 2025 se torne mais acessível e inclusivo em diversos municípios do estado.

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