Uefa afirma ter perdido confiança em Infantino após Fifa abandonar plano comercial da Copa

Entidade europeia criticou falta de transparência na proposta que previa venda de participação em direitos comerciais do Mundial

Foto: Divulgação/UEFA

A União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) afirmou neste sábado (1º) que a confiança no presidente da Fédération Internationale de Football Association (FIFA), Gianni Infantino, foi afetada após a entidade desistir de um projeto comercial envolvendo os direitos da Copa do Mundo.

A proposta previa a venda de cerca de 20% de participação em uma nova unidade comercial da Fifa, com possibilidade de arrecadar até US$ 4,2 bilhões junto a investidores privados. O plano gerou reação negativa entre confederações continentais, que alegaram não terem sido consultadas antes da apresentação da iniciativa.

Após a repercussão, a Fifa decidiu abandonar o projeto. Para a Uefa, a decisão representou uma resposta às críticas, mas também expôs problemas relacionados à condução de decisões estratégicas dentro da entidade.

Em comunicado, a confederação europeia afirmou que a retirada da proposta foi uma “vitória para todo o futebol”, mas destacou que será necessário reconstruir a relação de confiança com a direção da Fifa.

Uefa cobra mais transparência da Fifa

A entidade europeia criticou a criação de projetos considerados relevantes sem ampla consulta aos representantes do futebol internacional. Segundo a Uefa, medidas dessa dimensão precisam envolver confederações, associações nacionais e outros integrantes da modalidade.

A organização também relembrou declarações feitas por Infantino durante sua eleição à presidência da Fifa, em 2016, quando o dirigente prometeu maior transparência na administração da entidade.

A Uefa afirmou que pretende discutir mudanças no modelo de distribuição de recursos do programa Fifa Forward, voltado ao desenvolvimento do futebol, com participação de diferentes setores do esporte.

A Fifa e Gianni Infantino ainda não se manifestaram oficialmente sobre as críticas feitas pela entidade europeia.

O projeto havia sido anunciado na terça-feira (28) e provocou reação de outras confederações. O presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), xeique Salman bin Ebrahim Al-Khalifa, defendeu que futuras decisões com impacto global sejam tomadas após consultas aos envolvidos.

Já o presidente da Football Australia, Anter Isaac, afirmou que mudanças no futebol precisam preservar princípios como transparência, boa governança e participação das partes interessadas.

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