Senado aprova Dandara dos Palmares e Luísa Mahin como Heroínas da Pátria

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-Foto: Divulgação
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Foi publicado nesta quinta-feira (25) no Diário Oficial da União a determinação incluir no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, os nomes de Dandara dos Palmares e Luiza Mahin.

O nome de Dandara foi proposto pelo deputado federal Valmir Assunção, que demonstra a importância da inclusão dos nomes, para a valorização da mulher, principalmente da mulher negra que foi fundamental na luta do povo negro pelo fim do período escravocrata e que pelo racismo e machismo, são pouco lembradas.

Na avaliação do senador Humberto Costa (PT-PE), a aprovação do projeto, de autoria da ex-deputada e atual secretária nacional de Política para Mulheres, Tia Eron, faz justiça a duas heroínas negras que atuaram na libertação dos escravos no Brasil.

O senado aprovou no dia 27 de março no senado o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 55/2017 que as inclui no livro que reúne homens e mulheres que se destacaram na defesa da liberdade do país. Medida que precisava da sanção presidencial.

“Os negros nunca aceitaram passivamente a escravidão, muito pelo contrário. Durante todo esse período buscaram se insurgir das mais diversas formas contra as bárbaras condições de exploração e opressão a que estavam submetidos. Uma dessas formas de resistência se deu pela formação de comunidades negras em locais escondidos e fortificados em meio às florestas, conhecidas como quilombos, onde negras e negros plantavam, produziam e buscavam viver o mais próximo possível da liberdade. No período colonial, o Brasil chegou a ter centenas de quilombos espalhados, principalmente pelos atuais estados da Bahia, Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Alagoas, que constituíram uma das mais importantes formas de resistência no campo contra a dominação da elite branca e escravocrata.
No final do século XVI até meados do século XVII, formou- se, cresceu, prosperou e finalmente foi destruída a maior das comunidades de fugitivos das Américas.
 Em pleno coração do Império colonial português, essa comunidade seria um dos grandes símbolos da resistência negra à escravidão: o Quilombo dos Palmares, localizado na Serra da Barriga, na então Capitania de Pernambuco.

GOMES, 2005a, p. 29. / GUIMARÃES, 1996, p. 160.

Dandara foi uma importante líder que ao lado de Zumbi, liderou o Quilombo dos Palmares na luta contra as invasões das expedições bandeirantes.

Não há relatos precisos sobre a história de Dandara, como seu local de nascimento. Alguns relatos dizem que ela teria nascido no Brasil e se estabelecido no Quilombo dos Palmares desde criança e que possivelmente ela pertencia à nação Nagô-jejê, do grupo dos Mahin. Dandara também era responsável por liderar o exército palmarino, sendo uma exímia lutadora de capoeira e que tinha habilidades com as armas.

Dandara respirava a ideia de liberdade, a ideia de que não bastaria apenas a liberdade dos Palmarinos, mas para todos os que ainda não eram livres. Dizem que, sob a liderança de Dandara, as senzalas eram arrombadas para libertar os negros escravizados e as plantações de cana eram queimadas, gerando prejuízos aos senhores de escravos.

Luísa Mahin era do grupo étnico de Mahin dos malês, da etnia Jejê. Assim como Dandara, há poucos dados precisos sobre sua vida, incluindo as cartas de Luís gama, seu filho, a Lucio Mendonça.

Segundo Luís Gama, Mahin teria vindo da Costa da Mina, na condição de escravizada, mas ela teria sido uma rainha antes de chegar ao Brasil. Sabia ler e escrever muito bem e era mais inteligente do que seus senhores.

Luíza Mahin foi uma importante liderança na guerra dos Malês. Trabalhava nas ruas e no comércio como quituteira, o que dava a ela a condição de conversar com pessoas na cidade, fazer circular informações essenciais na articulação para a revolta dos escravizados.

Mahin dedicou sua vida à luta pela liberdade, e após a Revolta da Sabinada ela teria desaparecido, deixando à Luís Gama, apenas o imaginário de sua mãe. “Depois da Revolução do doutor Sabino, na Bahia, veio ela ao Rio de Janeiro e nunca mais voltou. Procurei-a em 1847, em 1856, em 1861, na corte, sem que a pudesse encontrar. Em 1862, soube, por uns pretos minas que a conheciam e que me deram sinais certos de que ela, acompanhada por malungos desordeiros em uma “casa de dar fortuna”, em 1838 fora posta em prisão; e que tanto ela como os seus companheiros desapareceram.

Éramos dois — seus cuidados, Sonhos de sua alma bela;
Ela a palmeira singela, Na fulva areia nascida.
Nos roliços braços de ébano. De amor o fruto apertava,
E à nossa boca juntava
Um beijo seu, que era a vida.
Quando o prazer entreabria Seus lábios de roixo lírio, Ela fingia o martírio
Nas trevas da solidão.
Os alvos dentes, nevados. Da liberdade eram mito, No rosto a dor do aflito, Negra a cor da escravidão.

POEMA “MINHA MÃE”, ESCRITO POR LUÍS CAMA EM 1861

Embora haja esse histórico de luta, a história oficial dificilmente traz a resistência protagonizada pelo povo negro, principalmente as mulheres negras.

O Livro dos Heróis da Pátria encontra-se depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília. (palmares.gov)

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