Mais de 3,7 mil pessoas foram diagnosticadas com ciclosporíase nos Estados Unidos em 2026, no que pode se tornar o maior surto da doença já registrado no país. As investigações das autoridades de saúde indicam que o consumo de alface e outras folhas verdes pode estar relacionado às infecções, embora ainda não exista confirmação sobre a origem da contaminação.
O Departamento de Saúde e Serviços Humanos de Michigan (MDHHS) informou que análises preliminares encontraram uma associação frequente entre os casos e o consumo de saladas. No entanto, nenhum produtor, marca ou fornecedor específico foi identificado até o momento.
Michigan concentra maioria dos casos
O estado de Michigan lidera o número de infecções, com 3.309 casos confirmados e pelo menos 44 internações. Em um ano considerado normal, o estado registra entre 40 e 50 casos da doença.
Já em Ohio, foram contabilizados 397 casos e 46 hospitalizações. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), ao menos 31 estados americanos registraram infecções por Cyclospora cayetanensis, com aumento acima do esperado também em Nova York, Illinois, Indiana e Kentucky.
A epidemiologista Caitlin Rivers, da Universidade Johns Hopkins, afirmou que os Estados Unidos estão “a caminho de registrar o maior número de casos de ciclosporíase da história”.
Quais são os sintomas e como se prevenir?
A ciclosporíase é uma infecção intestinal causada pelo parasita microscópico Cyclospora cayetanensis. Os principais sintomas incluem diarreia aquosa, cólicas abdominais, náuseas, perda de apetite, fadiga e inchaço. Sem tratamento, a doença pode persistir por semanas ou até meses.
A transmissão ocorre principalmente pela ingestão de alimentos ou água contaminados. Em surtos anteriores, o parasita já foi associado ao consumo de alface, saladas embaladas, coentro, manjericão, framboesas, ervilhas e cebolinhas.
Enquanto as investigações continuam, as autoridades recomendam comprar pés inteiros de alface, descartar as folhas externas e lavar cuidadosamente o restante em água corrente. Sempre que possível, a orientação é cozinhar vegetais folhosos, já que o parasita apresenta resistência aos métodos convencionais de desinfecção química.
Pessoas com diarreia aquosa persistente devem procurar atendimento médico para realizar exames específicos, pois os testes convencionais de fezes nem sempre detectam o parasita. O tratamento costuma incluir antibióticos, além de hidratação e repouso.
Até o momento, não há evidências de que o surto tenha relação com água de lagos ou atividades recreativas, e as investigações seguem concentradas na cadeia de distribuição de alimentos frescos.
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