O Quênia enfrenta o avanço de um comércio ilegal de formigas impulsionado pelo período de chuvas, quando ocorre o chamado voo nupcial das espécies — momento em que rainhas aladas deixam os ninhos e se tornam alvos fáceis para captura. A prática tem atraído contrabandistas e alimentado um mercado internacional em expansão.
Espécie alvo do tráfico
O fenômeno é registrado principalmente na região de Gilgil, no Vale do Rift, onde enxames deixam os formigueiros durante o ritual de acasalamento. Nesse período, machos e rainhas saem dos ninhos, tornando as rainhas — mais valiosas — alvos fáceis de coleta.
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As formigas gigantes africanas coletoras, conhecidas cientificamente como Messor cephalotes, são as mais procuradas por criadores estrangeiros. No mercado clandestino, uma única rainha pode chegar a £170 (cerca de R$ 1,1 mil), já que é capaz de fundar uma colônia que pode durar décadas.
A dimensão do tráfico veio à tona após a apreensão de cerca de 5 mil rainhas em uma pousada na cidade de Naivasha. Os insetos estavam armazenados em tubos preparados para mantê-los vivos durante o transporte até a Europa e a Ásia. Os envolvidos foram condenados por biopirataria.
Impactos ambientais preocupam
Especialistas alertam que a retirada dessas rainhas pode provocar o colapso de colônias inteiras e afetar o equilíbrio ambiental. A espécie desempenha papel importante na dispersão de sementes e na manutenção dos ecossistemas locais.
Além disso, pesquisadores destacam o risco da introdução de espécies invasoras em outros países, impulsionada pela popularização da criação de formigas como animais de estimação — um mercado que cresce principalmente na Europa e na Ásia.
Embora a coleta possa ser feita legalmente com autorização, autoridades afirmam que nenhuma licença foi solicitada até agora. O desafio, segundo órgãos ambientais, é ampliar a fiscalização para conter um comércio ainda subnotificado e potencialmente danoso à biodiversidade.





