Uma cantora de 32 anos denunciou ter sido vítima de importunação sexual e racismo enquanto trabalhava em um estabelecimento de Morro de São Paulo, distrito de Cairu, no baixo sul da Bahia. O caso aconteceu na noite de quarta-feira (5), e o suspeito, um turista italiano de 53 anos, foi preso em flagrante. Após audiência de custódia, realizada na quinta-feira (6), a Justiça determinou a prisão preventiva do homem.
Segundo a cantora Renata Nascimento, o turista começou a abordá-la enquanto ela se apresentava e continuou insistindo mesmo sem receber resposta. Em um vídeo gravado pela artista, o homem aparece perguntando: “Eu quero você. Qual é o seu valor?”. Renata também relatou que ele apontou o celular para ela e a chamou de “escrava” duas vezes. Diante da situação, ela decidiu registrar a abordagem para reunir provas.
Ainda conforme o relato da cantora, o homem deixou a mesa onde estava, aproximou-se dela, virou uma cadeira em sua direção e permaneceu encarando a artista. Funcionários do estabelecimento teriam percebido o comportamento e informado que o turista também teria feito comentários racistas contra uma mulher que o acompanhava, usando os termos “preta” e “negra”. Ela deixou o local antes do episódio envolvendo Renata.
Após funcionários e clientes acionarem a Polícia Militar, equipes do 31º Batalhão localizaram o suspeito. O homem e a cantora foram encaminhados para a Delegacia Territorial de Valença. De acordo com a Polícia Civil, o italiano foi autuado por importunação sexual e discriminação racial.
Durante a audiência de custódia, a 1ª Vara Criminal de Valença decretou a prisão preventiva. Uma intérprete participou da sessão para realizar a tradução em tempo real, e a decisão judicial também foi disponibilizada em italiano. O suspeito foi levado para o Conjunto Penal de Valença.
A Justiça também considerou que o homem já cumpria pena em regime semiaberto por outro crime. Segundo o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), ele havia recebido o benefício da 1ª Vara de Tóxicos de Salvador, mas deveria cumprir algumas condições, entre elas não frequentar bares, casas noturnas e estabelecimentos semelhantes e não consumir bebidas alcoólicas.
A condenação anterior é relacionada a um caso de 2013, quando o italiano teria participado de uma “degustação” de cocaína. Para a Justiça, o novo episódio pode indicar risco de reincidência e descumprimento das condições impostas anteriormente.





