Para agilizar a entrega no Brasil, Correios mira em blockchain

Para os Correios, isso se traduz em menos filas de ressarcimento, menor risco de fraude de seguros de encomendas e ganhos de reputação

Imagem: Freepik

A Empresa Brasileira de Correios e Tele­grá­fos (ECT) deu um passo raro para uma estatal ao lançar, em março de 2025, o Procedimento de Seleção Prévia e Diálogo n.º 25000001/2025 CS. O edital, publicado no Diário Oficial da União, convida empresas e especialistas a propor soluções de blockchain e inteligência artificial (IA).

O interesse é naquelas capazes de modernizar rastreamento, gestão de suprimentos e contratações da companhia. As propostas foram recebidas até abril e o órgão ressalta que quer um processo colaborativo e dinâmico para resolver questões logísticas complexas.

Licitação inédita e metas de transformação digital

Com quase 95 milhões de compras online entregues somente em 2024, ano em que o e-commerce brasileiro faturou R$204,3 bilhões e despachou 414,9 milhões de pedidos, os Correios ainda enfrentam gargalos. O próprio Relatório de Administração 2024 revela que o Índice de Entrega no Prazo (IEP) ficou em 94,25%, abaixo da meta interna de 95,51%.

Não por acaso, o Procon-SP registrou 801.796 atendimentos ligados a conflitos de consumo no ano passado, dos quais 238.995 viraram reclamações fundamentadas contra 26.778 fornecedores, Correios incluídos. Diante disso, a licitação mira duas coisas. A primeira é criar um livro-razão distribuído (blockchain) para rastrear cada etapa do trajeto.

Do centro de distribuição ao carteiro e sem risco de adulteração de dados. A segunda é integrar IA para otimizar rotas, prever demanda e liberar automaticamente pagamentos a transportadoras via contratos inteligentes. A ideia não vem sem fundamento, já que existem tokens que combinam essas tecnologias.

Muito além de simples opções de investimento e ropondo soluções a problemas reais, os projetos ligados as melhores criptomoedas de IA já demonstram como analytics preditivo e registro imutável podem reduzir extravios e acelerar conferências aduaneiras.

Blockchain como antídoto para gargalos logísticos

A tecnologia de blocos encadeados oferece três vantagens importantes. Imutabilidade, que cria provas auditáveis de cada manuseio de objeto, transparência permissionada, que permite a fiscais, seguradoras e até consumidores consultarem o mesmo histórico em tempo real.

E, claro, contratos inteligentes, capazes de disparar indenizações ou liberar pagamentos sem burocracia sempre que um evento é registrado no ledger. Estudo da FGV-EAESP aponta que blockchains em serviços públicos podem reduzir a burocracia em até 30% e cortar custos operacionais em 12% só com a eliminação de reconciliação manual de dados.

Para os Correios, isso se traduz em menos filas de ressarcimento, menor risco de fraude de seguros de encomendas e ganhos de reputação em mercados como o fulfillment para e-commerce. Inteligência artificial acelera rotas e decisões.

Quando acoplada ao blockchain corporativo, a IA aperfeiçoa não só a previsibilidade de demanda, mas também a orquestração de frota. Algoritmos de roteirização dinâmica alimentados por dados meteorológicos e fluxo de tráfego podem sugerir malhas alternativas minutos antes de um engarrafamento.

Modelos de machine learning detectam padrões de extravio e bloqueiam automaticamente o status de objetos suspeitos no ledger. A ECT já sinalizou internamente que pretende usar IA para agregar valor dentro e fora do last mile, segundo fonte ligada ao Ministério das Comunicações.

Embora a adoção integral ainda dependa de integração com sistemas legados, a combinação de ledger distribuído e predição de rotas tem potencial de elevar o IEP acima da meta. E, se replicar o que DHL e USPS obtiveram lá fora, encurtar em até 90% o ciclo médio de entrega de encomendas expressas.
Arquitetura técnica e integração com sistemas legados.

O edital de Seleção Prévia e Diálogo nº 25000001/2025 CS deixa claro que os Correios desejam uma rede permissionada, hospedada em nuvem governamental, capaz de conversar com SAP, SARA e demais sistemas legados que hoje administram estoque, folha de pagamento e despacho postal.

Nesse ambiente, cada centro de distribuição funcionaria como um nó validador e, nos hubs maiores, oráculos coletariam sinais de GPS e scanners RFID para gravar movimentações diretamente no ledger. A própria estatal admite, no anexo de requisitos funcionais, que a interoperabilidade é crítica porque não há orçamento para reinventar todo o ERP.

A solução vencedora deve expor APIs REST e seguir o padrão GS1 EPCIS 2.0, garantindo leitura única de eventos de remessa desde a triagem até o carteiro. Os engenheiros de TI da ECT estudam dobrar essa camada permissionada com uma sidechain pública dedicada a contratos inteligentes de seguro e pagamento de frete.

O desenho prevê que transportadoras independentes possam interagir sem credenciais internas graças a tokens de acesso gravados em contrato ERC-20. É um desenho semelhante ao que a DHL testou em 2024 para eliminar reconciliações manuais entre parceiros logísticos.

Na prova de conceito, a empresa alemã reduziu entre 40% e 90% o tempo de liberação de cargas ao acionar contratos que cruzam dados de GPS com cláusulas de recebimento previstas em minuto a minuto. No Brasil, o Banco Central também adota essa lógica de camadas híbridas em seu projeto de real tokenizado, o Drex, o real digital.

A experiência, embora em âmbito financeiro, mostrou ser viável manter registros imutáveis em rede fechada enquanto se publica apenas provas criptográficas na cadeia pública, garantindo auditoria sem violar sigilo bancário. Essa arquitetura inspira o desenho proposto pela estatal para preservar, por exemplo, dados sensíveis de CPF e endereço que trafegam nas etiquetas de postagem.

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