Corpo de Juliana Marins chega ao Brasil; nova perícia será feita no Rio por suspeita de negligência no resgate

Família busca investigação internacional sobre a morte da publicitária em montanha na Indonésia

Foto: Reprodução/Redes Sociais

O corpo da publicitária Juliana Marins chegou a São Paulo no fim da tarde desta terça-feira (1º), seis dias após ser resgatado no monte Rinjani, na Indonésia. A urna funerária foi enviada ao Rio de Janeiro, com chegada prevista para as 18h30, onde será realizada uma nova autópsia no Instituto Médico Legal (IML) Afrânio Peixoto.

A nova perícia foi solicitada pela família e poderá subsidiar uma investigação internacional sobre as circunstâncias da morte. Segundo a defensora regional de direitos humanos Taísa Bittencourt, há dúvidas sobre a atuação das autoridades locais e a dinâmica do acidente. A Advocacia-Geral da União (AGU) atendeu voluntariamente ao pedido e solicitou uma audiência urgente na Justiça Federal para definir os próximos passos.

Juliana caiu durante uma trilha no monte Rinjani, no dia 20 de junho, e só foi localizada três dias depois, com o uso de drones térmicos. Equipes conseguiram acessar o local e constatar a morte apenas no dia 24, e o corpo foi resgatado no dia 25, já com múltiplas fraturas e hemorragia interna, conforme laudo preliminar.

Imagens captadas por drone mostraram Juliana em locais diferentes entre os dias 21 e 25, sugerindo que ela possa ter sobrevivido por até quatro dias após a queda inicial. O legista brasileiro estimou o horário da morte entre 14h de terça (24) e 2h de quarta-feira (25), no horário de Brasília, contradizendo a versão da equipe indonésia, que afirmou que Juliana já estava sem vida na noite de terça.

A família acusa o Parque Nacional do Monte Rinjani de negligência e despreparo para emergências. Relatos de montanhistas apontam que o local não possui equipe de plantão nem equipamentos adequados, dependendo muitas vezes de voluntários. A polícia de Lombok ouviu quatro testemunhas, incluindo o guia Ali Musthofa, que teria deixado Juliana para trás durante a trilha.

Outro ponto de incerteza é o desaparecimento de equipamentos da vítima. Juliana foi vista nas imagens com calça, camiseta, luvas e botas, mas sem casaco, o que causa estranhamento diante das temperaturas próximas de 4°C durante a noite. Não se sabe se ela estava com mochila ou se teria sido retirada por alguém após o acidente.

Apesar do estado avançado de decomposição do corpo, os peritos tentarão reconstituir o que aconteceu “com base nas normas e nas leis brasileiras”, segundo Taísa Bittencourt. “Os peritos têm dúvidas se vão conseguir efetivamente constatar algo, mas é desejo da família entender, na nossa cultura, o que efetivamente aconteceu”, completou a defensora.

A família também estuda acionar organismos internacionais de direitos humanos para que o caso seja acompanhado por autoridades de fora da Indonésia.

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