Francisco de Assis Pereira, conhecido nacionalmente como Maníaco do Parque, planeja mudar de nome ao deixar a prisão em 2028, quando completará 30 anos de reclusão — o tempo máximo previsto pela legislação penal da época em que foi condenado. A informação foi revelada durante uma entrevista inédita à psicóloga forense Simone Lopes Bravo, concedida em 2024.
Atualmente, ele está preso na cela 59 do Pavilhão 3 da Penitenciária de Iaras, no interior de São Paulo, onde divide espaço com outros seis detentos condenados por estupro. Na conversa, Pereira afirmou que se converteu ao evangelho em 1999, enquanto estava preso na Penitenciária de Itaí, também no interior paulista, e desde então, não teria mais apresentado pensamentos violentos.
“Sou um novo homem. Aquele Francisco não existe mais”, declarou.
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Apesar da alegada conversão religiosa, o ex-caminhoneiro não pretende pedir perdão às famílias das vítimas.
“Deus já me perdoou”, disse ele durante a entrevista.
Sem avaliação psicológica na saída
Francisco deixará a prisão por liberdade direta, sem necessidade de avaliação psicológica. Isso acontece porque ele foi condenado segundo a Lei nº 7.209, de 11 de julho de 1984, que limitava a reclusão a 30 anos. As reformas penais posteriores, que elevaram o tempo máximo para 40 anos, não são retroativas e, portanto, não se aplicam ao caso dele.
Segundo a psicóloga, a intenção de mudar de nome reflete o desejo do condenado de “recomeçar a vida longe da fama criminosa” com a qual ficou nacionalmente conhecido.
Novos relatos sobre os crimes
Durante a entrevista, Francisco revelou novos detalhes perturbadores sobre os crimes que cometeu. Contou que abordava as mulheres no Parque Ibirapuera, em São Paulo, com falsas promessas de trabalho como modelos fotográficas. Muitas aceitaram acompanhá-lo até áreas de mata, onde foram violentadas e assassinadas.
Em seu relato, ele afirmou que em alguns casos “poupou” vítimas, e admitiu que retornava aos locais dos crimes para se masturbar diante dos corpos.
“Ficava com muitos pensamentos. Não conseguia parar de pensar. Aqueles pensamentos me excitavam”, relatou.
Pereira também afirmou que os impulsos surgiram na infância e estavam ligados ao desejo sexual por mulheres.
“Não matava homens porque me sentia atraído pelo corpo das mulheres”, afirmou, acrescentando que nem sempre havia contato físico com as vítimas: “Nem um beijo”.
Histórico e condenação
Francisco de Assis Pereira foi condenado por estupro, homicídio e ocultação de cadáver de nove mulheres, mas foi investigado por mais de 11 assassinatos. Os crimes ocorreram entre 1997 e 1998 e chocaram o país pelo grau de frieza e planejamento. Ele ficou conhecido como um dos maiores assassinos em série do Brasil.


