Lula critica Trump e defende imagem do Brasil em evento de inauguração da GWM

Presidente afirma que tarifas americanas prejudicam país e indica possível ação na OMC; discurso incluiu críticas a Bolsonaro e valorização do orgulho nacional

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (14) que o Brasil enfrenta uma “turbulência desnecessária” causada por informações falsas sobre o país divulgadas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As declarações foram feitas durante a inauguração da fábrica da montadora GWM em Iracemápolis (SP).

Segundo Lula, o governo brasileiro buscou negociar com os americanos desde março, enviando dez cartas, a última em 16 de julho. “A resposta que recebemos foi o aumento de 10% para 50% da taxação dos produtos brasileiros”, disse. Ele indicou que poderá recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para assegurar tratamento igualitário nas relações internacionais.

O presidente criticou o que classificou como desprezo dos países ricos pelo terceiro mundo e defendeu que o Brasil é uma democracia que respeita direitos humanos, ao contrário do que teria sido divulgado pelos EUA. Durante o discurso, Lula também mencionou que o ex-presidente Jair Bolsonaro está sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal por atos ligados à tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, e não por perseguição política ou empresarial.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin (PSB), destacou que o investimento da GWM demonstra que o Brasil é um parceiro confiável para negócios internacionais. Lula ressaltou ainda sua trajetória pessoal, incluindo conquistas sociais como a ampliação do salário mínimo e a redução da fome no país.

O evento também contou com a presença da prefeita de Iracemápolis, Nelita Michel Franceschini (PL), que aparentou constrangimento em alguns momentos, principalmente durante as menções a Bolsonaro, e recebeu doação de R$ 500 mil da GWM para investimentos em educação.

O discurso foi considerado voltado ao público interno, com o objetivo de reforçar a imagem do presidente e mobilizar apoio político, recebendo aplausos efusivos de dirigentes sindicais, políticos e funcionários da fábrica.

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