A Well Academia, que acumulava uma dívida superior a R$ 1 milhão em aluguéis atrasados, deixou o imóvel que ocupava na Rua Piauí, no bairro da Pituba, em Salvador. As portas foram fechadas na última quinta-feira (23) após o fornecimento de energia ser interrompido por débitos com a Coelba. Muitos alunos, que não haviam sido avisados do encerramento das atividades, foram surpreendidos ao encontrar o local fechado.
Segundo o Correio 24h, o proprietário do imóvel havia ingressado na Justiça solicitando o despejo da academia, que não efetuava o pagamento do aluguel há mais de um ano, desde o término do contrato em junho de 2024. Inicialmente, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) determinou o despejo condicionado ao pagamento de um caução de R$ 60 mil por parte do dono do imóvel. No entanto, o desembargador Renato Ribeiro Marques da Costa revogou essa exigência em nova decisão no dia 8 de outubro, determinando a saída imediata da academia.
Em nota, a defesa da Well informou que o fechamento da unidade ocorreu “para cumprir com exatidão específica determinação judicial”, destacando que está “ajustando detalhes vinculados aos funcionários e promovendo a devolução dos ativos de alunos da forma mais legal e transparente possível”.
Alunos relataram frustração com o encerramento repentino das atividades. Um frequentador contou que só descobriu o fechamento ao chegar ao local, na segunda-feira (28). Segundo ele, a unidade ainda aparece como ativa na plataforma Wellhub, que oferece acesso a academias em todo o país.
A advogada Morgana Cotias, do escritório Nogueira Reis Advogados, representante do proprietário, comemorou a decisão judicial. “Foi uma luta muito grande, mas felizmente conseguimos essa vitória. Agora, o espaço vai poder ser alugado novamente”, afirmou.
O processo judicial segue em andamento para que os valores devidos sejam pagos. Documentos apresentados à Justiça indicam que a dívida ultrapassa R$ 1 milhão. O proprietário, um idoso de 62 anos com problemas de saúde, relatou que os atrasos no aluguel, de R$ 30 mil mensais, eram recorrentes há anos. “Durante a pandemia, principalmente, foram muitos problemas. Ele pagava só quando queria”, contou.
A advogada também destacou que a Well ocupava o espaço de forma irregular desde o fim do contrato. “Ainda que não houvesse decisão judicial, o contrato acabou há mais de um ano. A Justiça apenas determinou o que o locatário deveria ter feito voluntariamente”, pontuou.
Mesmo após a determinação de despejo, a academia continuou vendendo planos. A mensalidade na unidade custava R$ 239.
O advogado que representa a Well informou anteriormente que não comentaria o caso, afirmando que “as questões levantadas estão sendo tratadas no processo judicial, cabendo ao Poder Judiciário responder às indagações e determinar as medidas cabíveis”.


