Quase dez anos após desastre de Mariana, processos no Brasil seguem sem conclusão; Justiça inglesa condena BHP

Ação coletiva no Reino Unido reúne 620 mil atingidos e reconhece responsabilidade da mineradora, enquanto ações criminais e de reparação no Brasil permanecem pendentes

Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil/Arquivo

Quase uma década após o rompimento da barragem de Fundão, da Samarco, em Mariana (MG), os processos judiciais no Brasil continuam sem desfecho definitivo. No âmbito criminal, o recurso do Ministério Público Federal (MPF) contra a absolvição dos acusados ainda não foi analisado, e parte das acusações já prescreveu.

Na esfera cível, um novo acordo de reparação foi firmado, estimado em R$ 170 bilhões, mas também aguarda avanços práticos.

No exterior, porém, houve um passo significativo. A Justiça da Inglaterra condenou, nesta sexta-feira (14), a mineradora BHP — acionista da Samarco — em uma ação coletiva movida por atingidos pelo desastre. A decisão envolve aproximadamente 620 mil autores, entre moradores, comunidades, municípios, empresas e instituições religiosas, que reivindicam cerca de R$ 230 bilhões em indenizações.

A sentença britânica ainda não define o valor final a ser pago, mas reconhece a responsabilidade da BHP pela tragédia ocorrida em 2015, que deixou 19 mortos e causou um dos maiores desastres socioambientais da história do país. Trata-se do maior processo já analisado pela Justiça do Reino Unido envolvendo um caso ambiental brasileiro.

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