Participação feminina no mercado de trabalho cresce, mas desigualdade salarial persiste

Mulheres ganham, em média, 21,3% a menos que homens, aponta relatório do governo

Foto: Victor Caiano/Divulgação

A participação feminina no mercado de trabalho brasileiro cresceu 11% nos últimos anos, com avanço especialmente entre mulheres negras e pardas. Apesar disso, a desigualdade salarial segue praticamente inalterada, segundo o 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

De acordo com o levantamento, o número de mulheres ocupadas passou de 7,2 milhões para 8 milhões, um aumento de cerca de 800 mil trabalhadoras. Entre mulheres negras, o crescimento foi ainda maior, de 29%, saltando de 3,2 milhões para 4,2 milhões.

Mesmo com mais mulheres empregadas, a diferença salarial pouco mudou. Em 2023, elas recebiam, em média, 20,7% a menos que os homens. Agora, a defasagem é de 21,3%. No salário mediano de contratação, a desigualdade também aumentou, passando de 13,7% para 14,3%.

O estudo reúne dados de cerca de 53,5 mil empresas com base na Rais e aponta que o salário médio no país é de R$ 4.594,89, enquanto o salário mediano é de R$ 2.295,36.

A participação feminina na massa total de rendimentos também cresceu, de 33,7% para 35,2%, mas ainda abaixo da presença das mulheres no mercado de trabalho, que é de 41,4%. Para equilibrar essa diferença, seria necessário um acréscimo de R$ 95,5 bilhões na renda das trabalhadoras.

O relatório também indica avanços em políticas internas das empresas, como jornada flexível, auxílio-creche e licenças parentais. Por outro lado, persistem desigualdades regionais, com menores diferenças salariais em estados como Acre, Piauí e Distrito Federal, e maiores índices em Espírito Santo, Rio de Janeiro e Paraná.

O estudo integra a aplicação da Lei 14.611/2023, que estabelece medidas de transparência salarial e ações para reduzir a desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho.

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