A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, apresentou uma nova versão da proposta de delação premiada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). O material foi entregue durante uma reunião realizada na última segunda-feira (1º) e complementado por um adendo protocolado no dia seguinte.
Segundo informações divulgadas pela TV Globo, uma nova reunião entre investigadores e advogados do empresário estava prevista para esta quarta-feira (3), mas acabou sendo cancelada para permitir uma análise mais detalhada do conteúdo apresentado pelas autoridades responsáveis pelo caso.
A nova tentativa de colaboração ocorre após a rejeição da primeira proposta apresentada por Vorcaro. Na ocasião, investigadores avaliaram que as informações fornecidas acrescentavam pouco às apurações já em andamento e consideraram que o banqueiro estaria preservando pessoas próximas citadas nas investigações.
As apurações avançaram após a apreensão de mais de oito aparelhos celulares pertencentes ao empresário. De acordo com informações preliminares, o material analisado pela Polícia Federal indicaria que os fatos investigados podem ir além de supostas irregularidades financeiras, envolvendo possíveis crimes de corrupção, organização criminosa e utilização de uma estrutura paralela para obtenção de informações sigilosas e ataques a adversários.
Daniel Vorcaro está preso em Brasília. Em março deste ano, ele assinou um termo de confidencialidade demonstrando interesse em colaborar com as investigações. Em maio, a defesa concluiu os anexos da proposta de delação e encaminhou os documentos às autoridades.
Um dos pontos centrais da negociação envolve a devolução de recursos. Segundo informações divulgadas pelo jornalista Valdo Cruz, interlocutores do banqueiro informaram que Vorcaro concordou em elevar de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões o valor que poderá ser restituído aos cofres públicos caso o acordo seja homologado.
Apesar da rejeição da proposta inicial pela Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República optou por manter abertas as negociações. A PGR teria sinalizado à defesa que, além do aumento do valor a ser devolvido, seria necessária uma reformulação mais ampla do conteúdo da colaboração para que o acordo avance.
A análise da nova proposta segue em andamento e poderá definir os próximos passos de uma das investigações mais relevantes atualmente conduzidas pela Polícia Federal.
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