Brasil registra menor taxa de analfabetismo da história, mas Nordeste ainda concentra maioria dos casos

Pela primeira vez, índice nacional fica abaixo de 5%; população idosa e pessoas pretas e pardas seguem entre as mais afetadas

Foto: Cláudio Postay/Prefeitura de Cedro

O número de brasileiros que não sabem ler e escrever continua em queda e atingiu, em 2025, o menor patamar já registrado pelo IBGE. Pela primeira vez desde o início da série histórica da PNAD Contínua Educação, iniciada em 2016, a taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais ficou abaixo dos 5%, alcançando 4,9%.

Os dados mostram que cerca de 8,4 milhões de brasileiros ainda vivem nessa condição, uma redução de aproximadamente 592 mil pessoas em comparação com o ano anterior. Em 2016, o percentual nacional era de 6,7%.

Apesar do avanço, o estudo revela que o problema permanece concentrado em algumas regiões do país. O Nordeste reúne mais da metade da população analfabeta do Brasil, com 4,8 milhões de pessoas, o equivalente a 57,4% do total nacional. A região apresenta índice de 10,6%, mais que o dobro da média brasileira.

No Norte, a taxa chegou a 5,7%, enquanto Sudeste e Sul registraram os menores percentuais, com 2,3% e 2,4%, respectivamente. No Centro-Oeste, o índice ficou em 3,3%.

Outro dado apontado pelo levantamento é a concentração do analfabetismo entre os idosos. Pessoas com 60 anos ou mais representam 58% do total de brasileiros que não sabem ler e escrever, somando 4,8 milhões de indivíduos. Nessa faixa etária, a taxa chega a 13,8%.

As desigualdades raciais também aparecem nos indicadores. Entre pessoas brancas com 15 anos ou mais, o percentual de analfabetismo é de 2,8%, enquanto entre pretos e pardos o índice sobe para 6,5%. Entre os idosos, a diferença é ainda mais acentuada: 7,3% entre brancos e 20,6% entre pretos ou pardos.

Além da redução do analfabetismo, a pesquisa mostra que a escolaridade da população brasileira continua avançando. Mais da metade dos pretos e pardos com 25 anos ou mais concluiu pelo menos o ensino médio, alcançando 51,3%. Entre os brancos, o percentual é de 64,9%.

No conjunto da população com 25 anos ou mais, 57,4% já concluíram a educação básica, percentual superior aos 46% registrados em 2016. Já a proporção de brasileiros com ensino superior completo chegou a 21,4%.

O levantamento também aponta queda no número de jovens entre 15 e 29 anos que não estudam, não trabalham e não frequentam cursos de qualificação. O contingente caiu de 11 milhões em 2019 para 8,2 milhões em 2025, embora a situação ainda seja mais comum entre mulheres e pessoas pretas ou pardas.

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