Nove entidades ligadas ao ensino superior privado e à educação médica lançaram o movimento Uma Só Régua, iniciativa que defende o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) como instrumento único para medir a qualidade da formação e a proficiência dos estudantes de Medicina no Brasil.
O movimento surge em meio às discussões no Congresso Nacional sobre propostas que preveem a criação de uma nova prova de proficiência, sob responsabilidade de conselhos profissionais. O debate ganhou força após a publicação da Medida Provisória nº 1.370/2026, conhecida como MP do Enamed.
Na avaliação das entidades, a criação de um segundo exame resultaria em sobreposição de avaliações, aumento de custos e insegurança jurídica sobre as atribuições entre o poder público e os conselhos profissionais.
“O Brasil não precisa de mais um exame. Precisa de uma única régua, clara, pública e capaz de melhorar a qualidade na medicina”, afirmou Sandro Schreiber, diretor-presidente da Associação Brasileira de Educação Médica (Abem).
As instituições defendem que o Enamed permite acompanhar o desempenho dos estudantes ao longo da graduação, identificar deficiências no processo de ensino e contribuir para o aprimoramento dos cursos de Medicina. Também destacam que o exame integra o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), segue as Diretrizes Curriculares Nacionais e é aplicado gratuitamente pelo Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
A MP nº 1.370/2026 prevê que o Enamed passe a ser realizado em duas etapas da graduação, com aplicação semestral. O texto também estabelece a avaliação da proficiência médica, aproxima o exame da etapa teórica do Revalida, permite a utilização da nota para ingresso direto em programas de residência médica e cria o Sistema Nacional de Avaliação da Residência Médica.
Para as entidades que integram o movimento, aperfeiçoar o Enamed é a alternativa mais eficiente para fortalecer a formação médica no país, evitando a criação de novos exames com objetivos semelhantes. A medida provisória continua em tramitação no Congresso Nacional e ainda será analisada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.





