O Banco do Brasil afirmou à Justiça que não retirou R$ 422 milhões das contas do Grupo Casas Bahia e contestou a versão apresentada pela varejista durante o processo de recuperação judicial. A instituição financeira também acusou a empresa de possível litigância de má-fé ao apresentar como realizado um débito que, segundo o banco, não chegou a ser efetivado.
A manifestação foi protocolada na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. No documento, o Banco do Brasil sustenta que não houve débito nem tentativa de retirada do montante entre os dias 21 e 24 de agosto, relacionado ao reembolso de fianças honradas pela instituição.
Segundo o banco, os registros da conta bancária apresentados no processo mostram que a movimentação apontada pela Casas Bahia não provocou qualquer redução no patrimônio da empresa.
Banco diz que débito não foi concluído
De acordo com a instituição financeira, a única tentativa de débito ocorreu em 25 de agosto, depois do período indicado inicialmente pela varejista. A operação, porém, teria sido automaticamente estornada porque não havia saldo suficiente na conta.
Com isso, o Banco do Brasil afirma que os R$ 422 milhões permaneceram no patrimônio da Casas Bahia e que não houve transferência efetiva dos recursos para a instituição financeira.
O banco também argumentou que a empresa já tinha acesso ao extrato consolidado quando apresentou o pedido à Justiça e, portanto, poderia verificar que o dinheiro não havia sido retirado.
Casas Bahia pediu devolução do valor
A Casas Bahia havia recorrido à Justiça na segunda-feira (24) para solicitar a devolução dos R$ 422 milhões. A empresa afirmou que o Banco do Brasil, responsável por prestar garantias contratuais envolvendo a Apple e a Mapfre Seguros, teria realizado os pagamentos depois do pedido de recuperação judicial e, posteriormente, descontado os valores das contas da varejista para se ressarcir.
Como parte da documentação apresentada, a empresa anexou uma captura de tela indicando débitos de aproximadamente R$ 422 milhões na área de “lançamentos futuros”, com previsão para 21 de agosto.
O Banco do Brasil, contudo, sustenta que o registro representava apenas uma movimentação prevista e não uma retirada efetivamente realizada.
Banco pede rejeição do pedido
Na manifestação encaminhada à Justiça, o Banco do Brasil afirmou que a Casas Bahia não teria apenas cometido um erro de interpretação dos registros bancários. Para a instituição, a empresa apresentou como fato consumado uma retirada milionária que não ocorreu.
Diante disso, o banco pediu que o pedido de devolução seja rejeitado e levantou a possibilidade de litigância de má-fé. A alegação se baseia nas regras do Código de Processo Civil, que permitem a aplicação de sanções quando uma parte altera a verdade dos fatos em um processo.
O episódio ocorre durante a recuperação judicial da Casas Bahia, que busca reorganizar suas finanças e renegociar bilhões de reais em dívidas. A discussão sobre os R$ 422 milhões deverá ser analisada pela Justiça no decorrer do processo.





