PF aponta que Vorcaro autorizou cartões de R$ 300 mil para cada filho de Moraes

Também nesta quinta-feira, Moraes prorrogou por 180 dias inquérito que apura fake news e ameaças ao STF (Marcos Oliveira/Ag. Senado)
Também nesta quinta-feira, Moraes prorrogou por 180 dias inquérito que apura fake news e ameaças ao STF (Marcos Oliveira/Ag. Senado)

Um relatório da Polícia Federal (PF) sobre as relações entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta que Vorcaro autorizou a emissão de cartões de crédito para os dois filhos do magistrado. As informações foram divulgadas pela revista Veja e constam de mensagens obtidas pela PF durante a investigação.

Segundo o documento, em 2 de outubro de 2025, um funcionário do escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, entrou em contato com Vorcaro para pedir orientações sobre cartões destinados a Giuliana e Alexandre. O banqueiro encaminhou contatos de uma funcionária do Banco Master para tratar da solicitação.

Na mesma data, a funcionária questionou Vorcaro se poderia prosseguir com a emissão dos cartões para os filhos de Viviane Barci. A mensagem mencionava um limite de R$ 300 mil para cada cartão, conforme o relatório. Vorcaro respondeu autorizando o procedimento.

Mensagens foram encaminhadas ao ministro André Mendonça

As conversas extraídas do celular de Vorcaro foram reunidas pela Polícia Federal e encaminhadas ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF. O material poderá subsidiar uma eventual apuração sobre as relações entre o banqueiro e Alexandre de Moraes.

O relatório também reúne informações sobre contratos firmados entre empresas ligadas a Vorcaro e o escritório Barci de Moraes, administrado por Viviane. Segundo documentos divulgados pela imprensa, contratos envolvendo o escritório e empresas relacionadas ao banqueiro somariam R$ 208 milhões.

O escritório de Viviane Barci de Moraes confirmou que Alexandre de Moraes analisou um contrato firmado com o Banco Master. Segundo a banca, a participação do ministro teria ocorrido para verificar a existência de eventuais impedimentos legais para a contratação, e não haveria irregularidade na conduta. O escritório também afirma que Moraes nunca julgou processo envolvendo o Banco Master.

Eventual investigação depende do plenário do STF

A divulgação das mensagens ocorre em meio à análise, por André Mendonça, do material produzido pela Polícia Federal. Para que um ministro do Supremo seja formalmente investigado, é necessária autorização do plenário do STF.

Até o momento, não houve essa autorização. Portanto, as informações reunidas no relatório da PF não significam, por si só, que Alexandre de Moraes seja alvo formal de uma investigação criminal.

O caso segue sob análise no Supremo, enquanto os documentos e mensagens apreendidos durante as investigações são avaliados pelas autoridades responsáveis.

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