Meta nega favorecimento político e atribui falhas a problemas técnicos nas campanhas de Lula e Flávio

Empresa afirma que suspensão de conta de anúncios de Lula ocorreu por engano e reconhece falhas na Meta AI; decisão do TSE proíbe interferência na distribuição de conteúdo eleitoral dos candidatos.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — Foto: Ricardo Stuckert

A Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, negou nesta sexta-feira (16) que tenha interferido politicamente nas eleições brasileiras. Em comunicado, a companhia afirmou que não favorece candidatos e atribuiu episódios envolvendo as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) a erros operacionais e falhas técnicas.

A manifestação foi divulgada após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinar, na quinta-feira (15), que a empresa não interfira na distribuição de conteúdo político-eleitoral relacionado aos dois candidatos até o fim do segundo turno. O descumprimento da decisão pode resultar em multa diária de R$ 500 mil.

A determinação foi tomada pelo ministro Marco Aurélio Bellizze, em ação apresentada pela campanha de Lula, que apontou falhas recorrentes na entrega de publicações da coligação.

Em nota, a Meta declarou que seus sistemas não classificam nem distribuem conteúdo com base em ideologia política e que as regras são aplicadas igualmente a todos os candidatos.

Meta afirma que conta de anúncios de Lula foi suspensa por engano

Segundo a empresa, a conta de anúncios da campanha de Lula foi desativada por pouco mais de uma hora em 23 de setembro. A Meta afirmou que a suspensão ocorreu por engano, após um anúncio ser identificado incorretamente como possível tentativa de se passar por um programa social do governo.

A companhia relacionou o episódio a uma análise antifraude realizada no contexto de um acordo firmado em 13 de abril de 2026 com a Advocacia-Geral da União (AGU), voltado ao combate a golpes envolvendo programas federais.

A Meta também declarou que a página oficial da campanha de Lula no Facebook e o perfil no Instagram não foram bloqueados. A empresa atribuiu o episódio às regras brasileiras para conteúdo digital, que, segundo sua avaliação, ampliam os riscos de aplicação excessiva das políticas de moderação.

Falhas técnicas afetaram sistemas de visualizações e anúncios

A empresa também apresentou explicações para problemas registrados em outubro. Em 7 de outubro, um incidente técnico afetou os sistemas responsáveis pela contagem de reproduções e reprises de vídeos no Reels.

De acordo com a Meta, durante cerca de cinco horas, as visualizações ficaram congeladas, incorretas ou zeradas, embora os conteúdos continuassem sendo distribuídos normalmente. A falha teria atingido criadores em mais de 100 países.

A companhia acrescentou que a campanha de Flávio Bolsonaro também entrou em contato para relatar o problema na mesma data.

Em 9 de outubro, outra falha global atingiu o Gerenciador de Anúncios. Conforme a empresa, uma atualização de código impediu temporariamente que anunciantes criassem anúncios a partir de publicações já existentes no Instagram.

Empresa reconhece falha na Meta AI

Outro episódio envolveu a Meta AI, assistente de inteligência artificial disponível no WhatsApp, Instagram e Facebook. Usuários relataram que a ferramenta se recusava a criar imagens de campanha de Lula, mas aceitava solicitações semelhantes relacionadas a Flávio Bolsonaro.

A Meta afirmou que o problema registrado em 14 de outubro foi provocado por uma lacuna específica nas proteções do sistema, e não por viés político.

Segundo a empresa, as regras eleitorais levaram à restrição temporária da capacidade da Meta AI de recomendar candidatos ou gerar imagens deles no Brasil. No entanto, os mecanismos de bloqueio nem sempre reconheciam referências aos candidatos quando um primeiro nome comum era combinado com um número eleitoral.

A companhia afirmou que os incidentes relatados pela campanha de Lula possuem explicações documentadas e negou qualquer tentativa de manipular a distribuição de conteúdo ou influenciar o resultado eleitoral.

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