A Associação Nacional das Baianas de Acarajé (ABAM) divulgou uma nota pública repudiando a criação e a divulgação de uma versão do acarajé nas cores verde e amarela. O posicionamento foi publicado nas redes sociais da entidade e assinado pela presidente da associação, Rita Santos.
No comunicado, a ABAM afirma que o acarajé não é apenas um alimento comercial, mas um símbolo da cultura afro-brasileira, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 2005.
A entidade destacou que a receita tradicional, o modo de preparo e o significado religioso do quitute estão ligados à ancestralidade e às religiões de matriz africana, sendo preservados há séculos pelas baianas de acarajé.
Segundo a associação, embora a criatividade gastronômica seja legítima, mudanças que alterem elementos tradicionais do acarajé podem contribuir para a descaracterização de um patrimônio cultural. Em um dos trechos da nota, a diretoria ressalta que o bolinho representa a resistência e a identidade das mulheres negras e dos povos africanos no Brasil.
A ABAM também fez um apelo aos veículos de comunicação para que consultem as entidades responsáveis pela preservação da tradição sempre que o tema for abordado. “Defender o acarajé é defender a memória, a identidade e a história do povo brasileiro”, afirmou Rita Santos.
Acarajé inspirado nas cores do Brasil
O quitute que gerou a manifestação foi criado pela empreendedora Adriana Ferreira, conhecida como Drica, que atua há duas décadas no ramo e costuma desenvolver versões temáticas do acarajé.
Desta vez, ela utilizou corantes alimentícios para deixar o bolinho nas cores verde e amarela, em homenagem à bandeira brasileira e ao clima da Copa do Mundo. Segundo a criadora, a alteração foi apenas visual e não modificou o sabor nem os ingredientes principais da receita.


