Pela primeira vez desde dezembro de 2023, o preço do café moído apresentou queda no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), com recuo de 0,36% em julho. O dado, divulgado nesta sexta-feira (25) pelo IBGE, interrompe uma sequência de 18 meses de aumentos consecutivos no produto.
Apesar da leve retração, o café segue como o item com maior variação acumulada no período de 12 meses, com alta de 76,5% — disparada que o coloca no topo entre os 367 itens monitorados pelo índice.
Segundo o FGV Ibre, o aumento chega a 89,6% quando analisado o café em pó, bem acima da inflação média da cesta de inverno, estimada em 2,8%. “O café foi o principal destaque negativo, com aumento expressivo”, avalia o economista Matheus Dias.
O cenário é agravado pela persistência de preços elevados nas marcas premium, que chegam a custar R$ 80 o quilo em algumas capitais. Em São Paulo, por exemplo, o IPC da Fipe já havia sinalizado uma tendência de desaceleração, mas os valores seguem pressionados pelos efeitos climáticos sobre as últimas safras.
Além disso, o anúncio do governo Trump sobre a possível aplicação de uma sobretaxa de 50% nas exportações brasileiras de café adiciona incertezas ao setor. O Cepea alerta que o mercado estuda alternativas para redistribuição da oferta, diante de possíveis entraves no comércio internacional.
O setor segue em alerta, monitorando os desdobramentos econômicos e climáticos que continuam a influenciar diretamente os preços do café no Brasil e no exterior.





