A Bahia ocupa a segunda posição no ranking nacional de estados com maior número de mães que criam os filhos sem a presença de cônjuge ou outros parentes dentro de casa. Os dados são do Censo 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo o levantamento, 20,4% dos lares monoparentais do país estão na Bahia, ficando atrás apenas de Sergipe, que lidera com 21,61%. O Amapá aparece em terceiro lugar, com 20,23%.
O estudo mostra ainda que o número de famílias compostas apenas por mães e filhos cresceu no Brasil nas últimas décadas. Em 2000, esse modelo representava 11,6% dos domicílios brasileiros. Em 2022, o percentual subiu para 13,5%, totalizando cerca de 7,8 milhões de famílias.
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Mulheres lideram maioria dos lares monoparentais na Bahia
Na Bahia, 87,56% dos domicílios monoparentais são chefiados por mulheres, o equivalente a 839.142 famílias. Já os homens representam 12,44%, somando 119.241 lares.
Os dados também revelam que mulheres negras pretas e pardas concentram a maior parte desses domicílios no estado:
- 520.337 famílias são lideradas por pessoas pardas;
- 253.238 por pessoas pretas;
- 155.275 por pessoas brancas.
Entre as mulheres, as pardas lideram o ranking, com 457.452 lares monoparentais. Em seguida aparecem as mulheres pretas, com 223.207 famílias, e as mulheres brancas, com 134.832.
Sobrecarga emocional e desigualdade social
A cientista social Maria Joana Uzêda destacou que os números evidenciam uma realidade marcada pela sobrecarga feminina, principalmente entre mulheres negras.
Segundo ela, além de assumirem sozinhas a responsabilidade pelos filhos, muitas enfrentam jornadas duplas de trabalho, menores salários e dificuldades econômicas.
A pesquisadora também afirmou que fatores históricos e sociais influenciam diretamente nesse cenário, como desigualdades raciais, abandono familiar e mudanças na estrutura das famílias brasileiras.
Número de pais solo também cresceu
O levantamento do IBGE aponta ainda aumento no número de homens criando os filhos sozinhos no país. Em 2000, eles representavam 1,5% dos lares brasileiros. Em 2022, o índice chegou a 2%, totalizando cerca de 1,2 milhão de famílias.
Apesar do crescimento, os números continuam muito abaixo dos registrados entre as mulheres.


