Não ter casos de câncer na família não significa estar protegido contra a doença. Segundo especialistas, o câncer pode surgir a partir da combinação de diferentes fatores, incluindo alterações nas células ao longo da vida, envelhecimento, hábitos e exposições ambientais.
De acordo com Erika Simplicio, oncologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, o histórico familiar é importante na avaliação médica, principalmente quando há vários casos entre parentes ou diagnósticos em pessoas jovens. No entanto, a maioria dos cânceres não está diretamente relacionada a alterações genéticas herdadas.
Entre os fatores que podem aumentar o risco estão tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, excesso de peso, sedentarismo, alimentação inadequada e exposição excessiva ao sol. Alguns agentes presentes no ambiente e no trabalho também podem contribuir.
Ter casos na família significa que vou ter câncer?
Não. Ter um familiar diagnosticado com câncer não significa que outros membros da família necessariamente desenvolverão a doença.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), aproximadamente 5% a 10% dos casos de câncer estão relacionados a alterações genéticas hereditárias que aumentam a predisposição para determinados tumores.
Por isso, a avaliação deve considerar o tipo de câncer, a idade em que os familiares foram diagnosticados e outros fatores individuais.
Hábitos podem reduzir o risco
Embora não seja possível prevenir todos os casos, algumas medidas ajudam a reduzir fatores de risco. Entre elas estão não fumar, evitar bebidas alcoólicas, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, cuidar do peso e proteger a pele contra a exposição excessiva ao sol.
A vacinação contra o HPV e a hepatite B também contribui para prevenir infecções relacionadas a alguns tipos de câncer.
Além disso, mudanças persistentes no organismo devem ser avaliadas por um profissional. Perda de peso sem explicação, sangramentos sem causa conhecida, alterações persistentes no intestino ou na bexiga e mudanças em pintas estão entre os sinais que merecem investigação.
Esses sintomas, porém, não significam necessariamente câncer, já que também podem estar relacionados a outras condições.
O acompanhamento médico e os exames preventivos devem ser definidos considerando idade, sexo, fatores de risco e características individuais, e não apenas a existência de casos de câncer na família.
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