Profissionais da área estética em Salvador têm observado um aumento expressivo na procura por remoção de tatuagens com símbolos, frases ou desenhos que passaram a ser associados a facções criminosas. A tendência preocupa e reflete um cenário em que a simbologia do crime impõe medo e estigma, mesmo entre pessoas sem qualquer ligação com a criminalidade.
Segundo Narjara Vieira, especialista em micropigmentação e remoção a laser, muitos clientes procuram o estúdio para apagar tatuagens antigas que hoje carregam significados indesejados.
“Há jovens que tatuaram sem saber o que representava e hoje buscam remover por receio ou vergonha. Também há quem queira apagar o passado e recomeçar”, relata.
A especialista afirma que o público é diverso, mas predominam jovens e adultos que desejam se afastar de qualquer relação com o crime. “Há casos em que os pais trazem os filhos, preocupados com a empregabilidade ou com a exposição a riscos”, contou.
Narjara explica que a remoção dessas tatuagens vai além da estética:
“Para muitos, é um ato de libertação. Não se trata apenas de apagar o pigmento, mas de apagar um capítulo da vida”, afirma.
Diante da demanda crescente, o estúdio criou o projeto Renova-se com Autoestima, que oferece atendimentos gratuitos a pessoas que desejam apagar marcas ligadas ao passado. A iniciativa surgiu como resposta à necessidade de acolher casos mais delicados com discrição e apoio emocional.
O que diz o Estado
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP) informou que as forças policiais do estado não divulgam nomes de facções, simbologias ou siglas para evitar dar publicidade a grupos criminosos. A pasta destacou que o combate ao crime organizado é diário, com ações baseadas em inteligência e pautadas na legalidade.
De acordo com a SSP, em 2025 já foram apreendidas mais de 6 mil armas de fogo e 12 toneladas de drogas, resultando em uma redução de 10% nas mortes violentas no estado.
O crescimento da procura por remoção de tatuagens evidencia como símbolos originalmente neutros podem ganhar novas leituras sociais — e como muitos cidadãos buscam reconstruir sua identidade diante do medo e da estigmatização urbana.
Reportagem original do portal Taktá


