Curiosidade! Durante a Guerra Fria, EUA e URSS concordaram em se unir no caso de um ataque alienígena

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Não era sempre que os líderes dos Estados Unidos e da União Soviética se encontravam pessoalmente – mas, quando a reunião rolava, eles faziam questão de deixar o evento marcado nos livros de história.

Foi o que aconteceu na Conferência de Genebra, em novembro de 1985. Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev se reuniram na cidade suíça para discutir uma redução da quantidade de armas nucleares portadas por cada país. Gorbachev havia acabado de assumir o posto de líder da União Soviética, após a morte de Konstantin Chernenko em março daquele ano. Até então, ele nunca havia encontrado o presidente dos EUA pessoalmente.

Em determinado momento, entre as negociações militares, os dois líderes saíram para dar uma volta – sem a presença de jornalistas, fotógrafos ou diplomatas. As únicas pessoas presentes durante a conversa particular ali eram os intérpretes pessoais dos presidentes.

Por muito tempo, o público ficou sem saber o que foi discutido. Mas uma parte do conteúdo da conversa foi revelada em 2009 pelo próprio Gorbachev. Durante uma entrevista ao jornalista Charlie Rose, ele afirmou que Reagan pediu para que os dois colocassem as diferenças de lado caso o planeta fosse invadido por aliens.

“O presidente Reagan de repente me disse: ‘O que você faria se os Estados Unidos fossem atacados por alguém do espaço sideral? Vocês nos ajudariam?’. Eu disse, ‘Sem dúvidas’. Ele disse, ‘Nós também’. Foi um momento interessante”, relembrou Gorbachev.

Ronald Reagan, vale dizer, era um grande fã de ficção científica. Não à toa, seu plano de defesa estratégica dos EUA foi apelidado de “Star Wars”. Seu grupo de conselheiros sobre política espacial incluía não só astronautas e engenheiros, mas também escritores de ficção científica, como Robert Heinlein e Jerry Pournelle.

Amigos do peito

O Secretário de Estado de Reagan na época, George Shultz, contou que os dois foram para essa caminhada em Genebra como conhecidos, mas voltaram como amigos. Na entrevista a Rose, Gorbachev confessou que saiu da conferência com uma imagem diferente do presidente americano, e que o reconheceu como alguém com quem poderia conversar.

O acordo informal, obviamente, não foi colocado à prova. Mas talvez ele tenha sido decisivo para o desenvolvimento de uma amizade entre os líderes. Durante a Conferência de Genebra, eles descartaram a possibilidade de uma guerra nuclear. No ano seguinte, eles se reuniram novamente em Reykjavik, na Islândia, para discutir outros acordos de desarmamento.

A boa relação entre Reagan e Gorbachev culminou na queda do muro de Berlim em 1991. Se os líderes tivessem se estranhado no primeiro encontro, talvez a História tivesse tomado rumos bem diferentes. Mas o fato é que Reagan não conseguiu conter seu lado nerd em Genebra – e Gorbachev também entrou na brincadeira.

Por Maria Clara Rossini / Superinteressante