A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro divulgou nota nesta sexta-feira (18) classificando como “surpreendentes e indignas” as medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após nova operação da Polícia Federal realizada em Brasília.
Entre as determinações, está o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, além de recolhimento domiciliar noturno — das 19h às 7h — inclusive aos finais de semana. Bolsonaro também está proibido de acessar redes sociais, manter contato com diplomatas e com o próprio filho, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atualmente nos Estados Unidos.
Segundo a defesa, as medidas foram aplicadas sem “qualquer indício de risco de fuga” por parte do ex-presidente. Os advogados Celso Sanchez Vilardi, Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Bettamio Tesser destacam que as determinações teriam sido motivadas por “atos praticados por terceiros”, o que, segundo eles, é algo inédito no direito brasileiro.
A nota também contesta o fato de que o envio de dinheiro por Bolsonaro ao filho e familiares, realizado antes do período investigado, tenha sido citado como justificativa para as restrições judiciais. “Causa espécie que se inclua a proibição de conversar com seu próprio filho, um direito tão natural quanto sagrado”, escreveram os advogados.
As buscas ocorreram na residência de Bolsonaro, em Brasília, e na sede nacional do Partido Liberal (PL). A ação da PF ocorre em meio ao avanço do inquérito que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado liderada pelo ex-presidente, além de outros processos em curso.
O processo que embasou as medidas cautelares foi distribuído ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do STF, no último dia 11. As restrições foram referendadas pela maioria da Primeira Turma da Corte.
A ofensiva judicial acontece em paralelo à deterioração do ambiente político de Bolsonaro, que enfrenta crescente isolamento após o governo dos EUA, sob Donald Trump, anunciar uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, citando justamente o processo em curso contra o ex-presidente no STF.
Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada esta semana, 72% dos brasileiros consideram um erro a imposição de tarifas por parte de Trump, enquanto 53% avaliam como correta a resposta diplomática do presidente Lula.





