‘Doutor Estranho 2’ traz marcas de Sam Raimi ao Universo Marvel e ‘autoterapia’ do herói, diz Benedict Cumberbatch

America Chavez (Xochitl Gomez), Wong (Benedict Wong) e Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) em "Doutor Estranho no Multiverso da Loucura" — Foto: Divulgação

“Doutor Estranho no multiverso da loucura” não é uma continuação simples. É, sim, a segunda produção estrelada pelo herói da Marvel em seu Universo Cinematográfico (o famoso MCU, em inglês), mas é o 28º filme de uma saga megalomaníaca que conta ainda com (cerca de) outras 15 séries.

A sequência que estreou nesta quinta-feira (5) no Brasil tem como trunfo a direção de um dos grandes responsáveis pelo sucesso do gênero, Sam Raimi, e conta com o retorno de Benedict Cumberbatch ao papel do grande mago.

Mas, ao mesmo tempo, deve introduzir oficialmente (depois de uma apresentação superficial em “Homem-Aranha: Sem volta para casa”), como o próprio título deixa claro, a imensidão de múltiplos universos dos gibis.

Com isso, oferece ao britânico de 45 anos e duas indicações ao Oscar (“O jogo da imitação” e “Ataque dos cães”) a oportunidade de interpretar diferentes versões do herói, que até contracenam entre si.

“É sobre como ele aprende tanto com ele mesmo, mas também com o que mais é jogado contra ele nessa história. Como avançar. Se tornar alguém que evoluiu do primeiro filme, no qual você vê um homem preso em uma gaiola dourada que ele mesmo fez, e então mudando para o terreno no qual faz o bem para os outros como um super-herói.”

Ecos do MCU
Em “Multiverso da loucura”, o protagonista deve viajar por diversas dimensões paralelas e coletar aliados para derrotar demônios e outras ameaças misteriosas.

Entre os parceiros conhecidos (como o Wong de Benedict Wong e a Feiticeira Escarlate de Elizabeth Olsen) e novatos (como a America, da estreante Xochitl Gomez) há até uma versão atormentada do próprio doutor, não tão boa assim, apresentada na série animada “What if”.

Com ecos ainda de tramas mais recentes, como das séries “Loki” e “WandaVision”, fica claro que a aventura de 2016 do próprio herói foi um ponto de partida, mas não repercute tanto na nova história.

Como se o próprio “Multiverso da loucura” fosse uma espécie de universo paralelo ao mundo real, há muitos mais paralelos (com o perdão do trocadilho) com o ciclo encerrado em “Sem volta para casa” (2021).

Afinal, o filme que encerrou a trilogia do Homem-Aranha no MCU mostrou o mago à beira da destruição de toda a existência com um feitiço que fragmentou a barreira entre realidades – algo que permitiu o retorno de Tobey Maguire, protagonista da produção de 2002, ao personagem.

E quem dirigiu o ator há duas décadas? Pois bem, foi o próprio Raimi, que agora entra para o time da Marvel no segundo “Doutor Estranho”.

Terror familiar
O presidente dos estúdios da editora, Kevin Feige, prometeu que esta seria quase uma história de terror na época do anúncio. Mais um motivo pelo qual o anúncio do cineasta animou os fãs, depois que o diretor do “Doutor Estranho” de 2016, Scott Derrickson, deixou a continuação pelas famigeradas “diferenças criativas”.

Mais do que dirigir a primeira trilogia do Homem-Aranha nos anos 2000 e ser um dos responsáveis diretos pelo sucesso dos super-heróis nos cinemas, Raimi também é conhecido por clássicos do terror como “Uma noite alucinante” (1981).

Na conversa com o g1, realizada exatos 20 anos depois do evento de lançamento do primeiro “Homem-Aranha”, Cumberbatch promete que os admiradores do americano vão encontrar algumas de suas marcas registradas.

“Definitivamente há essa sensação de filme B de terror, emoções, sustos e muitas marcas do Sam Raimi para os fãs dele por aí que querem ver um filme de Sam Raimi. Mas contextualizados na parte do Doutor Estranho desse gênero nesse período de tempo”, afirma o ator.

“Há alguns elementos que parecerão nostálgicos, mas eles fazem parte de uma narrativa muito nova.” (G1)