Um dos maiores estudos sobre saúde cardiovascular do mundo trouxe um alerta preocupante: cerca de 40% dos infartos acontecem em pessoas classificadas como de baixo risco pelos modelos tradicionais usados na medicina. Ou seja, quase metade dos casos ocorre em indivíduos que não são prioridade nas políticas de prevenção e, muitas vezes, não recebem acompanhamento contínuo.
O dado vem do estudo PURE, que acompanhou aproximadamente 200 mil pessoas em 21 países, incluindo o Brasil. A pesquisa analisou, ao longo dos anos, como fatores sociais, econômicos e comportamentais influenciam o surgimento de doenças cardiovasculares em áreas urbanas e rurais.
O principal recado é claro: o risco cardiovascular não depende apenas de exames ou cálculos isolados, mas também do modo de vida e da forma como a sociedade se organiza. Com o avanço da urbanização, aumentam o sedentarismo, a alimentação pouco saudável e o estresse, abrindo caminho para hipertensão, obesidade, diabetes e, mais tarde, infarto e AVC.
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Outros grandes estudos reforçam esse cenário. Pesquisas internacionais apontam que a maioria dos infartos e derrames está ligada a um conjunto limitado de fatores modificáveis, como tabagismo, pressão alta, colesterol alterado, obesidade abdominal, má alimentação, sedentarismo, consumo excessivo de álcool, estresse e depressão.
No Brasil, a hipertensão segue como o principal fator de risco. Mesmo com tratamento eficaz disponível, o controle ainda é baixo e muitas pessoas sequer sabem que têm a condição. Além disso, falhas no acesso a diagnóstico, medicamentos e acompanhamento aumentam o risco de complicações graves, especialmente em regiões mais pobres.
A pesquisa também destacou hábitos que fazem diferença: alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes e verduras, prática regular de atividade física, preservação da força muscular e controle adequado da pressão arterial reduzem significativamente o risco de morte precoce.
A conclusão dos especialistas é direta: o conhecimento científico já existe, mas ainda é pouco aplicado no dia a dia. O desafio agora não é descobrir novos fatores de risco, e sim transformar o que já se sabe em políticas públicas, cuidado contínuo e escolhas saudáveis ao longo da vida.
Viver mais não é apenas somar anos, mas garantir mais qualidade, autonomia e saúde ao longo do tempo.


