O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que o governo americano deve elevar de 10% para 15% a tarifa universal aplicada a importações nos próximos dias. A declaração foi feita em entrevista à emissora CNBC e detalha os próximos passos da política comercial defendida pelo presidente Donald Trump.
A mudança ocorre após a Suprema Corte dos Estados Unidos invalidar parte do modelo tarifário anterior, que estava baseado na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Como alternativa, o governo passou a utilizar uma nova base jurídica que permite manter a tarifa por até 150 dias.
Segundo Bessent, nesse período o governo pretende reconstruir o arcabouço legal para sustentar novamente as tarifas antigas. Ele afirmou que a expectativa é retomar as alíquotas anteriores dentro de cerca de cinco meses, utilizando dispositivos da legislação comercial americana considerados mais sólidos do ponto de vista jurídico.
A sinalização do aumento teve reflexo imediato no mercado financeiro. Os contratos futuros do S&P 500 reduziram os ganhos registrados no início do dia e passaram a operar em leve queda por volta das 9h49, no horário de Brasília.
⛽ Petróleo e tensão no Oriente Médio
Durante a entrevista, Bessent também comentou os impactos do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã no mercado internacional de petróleo. De acordo com ele, não há risco imediato de desabastecimento, pois a oferta global seria suficiente para compensar possíveis interrupções.
O secretário destacou que existem grandes volumes de petróleo armazenados em navios fora da região do Golfo e mencionou que o governo pode ampliar medidas de apoio ao setor, como oferta de seguros a petroleiros e atuação da Marinha americana para garantir a navegação no Estreito de Ormuz.
Ele também afirmou que a China estaria entre os países mais expostos a um eventual bloqueio no fornecimento da região, já que grande parte da energia consumida pelo país vem do Golfo Pérsico. Segundo Bessent, as compras chinesas de petróleo iraniano estariam suspensas no momento.
Sobre a possibilidade de um embargo comercial à Espanha, citada recentemente por Trump, o secretário disse que qualquer decisão dependerá de avaliação e coordenação entre diferentes áreas do governo americano.





