EUA pedem saída de delegado brasileiro após caso envolvendo Alexandre Ramagem

Autoridades americanas apontam tentativa de contornar regras de extradição em território dos Estados Unidos

A atuação de um delegado brasileiro nos Estados Unidos gerou reação do governo norte-americano, que determinou a saída do agente do país. A medida está relacionada ao caso do ex-deputado Alexandre Ramagem, que foi detido recentemente em território americano.

Sem divulgar inicialmente o nome, o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental afirmou que uma autoridade estrangeira teria tentado contornar os procedimentos formais de extradição, o que não é permitido pela legislação dos Estados Unidos.

A identidade do delegado foi posteriormente confirmada como Marcelo Ivo de Carvalho, que estava em missão oficial no país, atuando em parceria com o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), com base em Miami.

Prisão e liberação de Ramagem

O caso ganhou repercussão após a prisão de Ramagem no dia 13 de abril, na cidade de Orlando. Segundo a Polícia Federal, a detenção ocorreu por questões migratórias.

O ex-deputado permaneceu sob custódia por dois dias e foi liberado em seguida. Após deixar o centro de detenção, ele publicou um vídeo agradecendo ao governo do então presidente Donald Trump.

De acordo com informações do ICE repassadas à Polícia Federal, Ramagem poderá permanecer em liberdade enquanto aguarda a análise de um pedido de asilo.

Investigação e contexto no Brasil

No Brasil, Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele é apontado como um dos principais envolvidos em articulações para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.

As investigações indicam que o ex-deputado deixou o país em 2025, antes da conclusão do julgamento, em uma saída considerada clandestina. Há indícios de que ele tenha passado pela fronteira de Roraima com a Guiana antes de seguir para os Estados Unidos.

O Ministério da Justiça já havia informado ao STF que o pedido de extradição foi encaminhado às autoridades americanas no fim de 2025.

O caso segue em andamento e envolve articulações diplomáticas entre os dois países, além de desdobramentos judiciais tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

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