🌍 Lula alerta no G7 que conflito entre Irã e Israel pode transformar Oriente Médio em “campo de batalha”

Foto: Reprodução / TV Globo

Durante a reunião ampliada do G7, realizada nesta terça-feira (17), nas montanhas de Kananaskis, no Canadá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um alerta contundente: o conflito entre Irã e Israel ameaça transformar o Oriente Médio em um “único campo de batalha” com consequências globais “inestimáveis”.

“Os recentes ataques de Israel ao Irã ameaçam fazer do Oriente Médio um único campo de batalha, com consequências globais inestimáveis”, disse o presidente, sem citar diretamente a retaliação iraniana.

Desde a última sexta-feira (13), Israel tem bombardeado instalações militares e nucleares no Irã, o que resultou na morte de cientistas e altos comandantes. Em resposta, Teerã lançou drones e mísseis contra o território israelense.

Críticas à ofensiva em Gaza

Lula também voltou a criticar a ofensiva israelense na Faixa de Gaza, que classificou como “matança indiscriminada” de mulheres e crianças, além de condenar o uso da fome como arma de guerra.

“Ainda há países que resistem em reconhecer o Estado palestino, o que evidencia sua seletividade na defesa do direito e da justiça”, destacou o presidente.

A fala foi interpretada como um recado indireto aos Estados Unidos, cujo presidente, Donald Trump, embora membro do G7, não participou do encontro. O republicano deixou a cúpula antecipadamente na segunda-feira (16) por conta do agravamento do conflito no Oriente Médio, sendo representado no evento pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent.

Brasil e diplomacia global

O Brasil foi um dos países convidados para a cúpula do G7, grupo formado por Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão, com participação da União Europeia. Outros países presentes foram África do Sul, Austrália, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Índia e México.

Em sua fala, Lula também abordou o conflito entre Rússia e Ucrânia, afirmando que “nenhum dos lados atingirá seus objetivos por via militar”. Segundo ele, apenas o diálogo poderá levar a um cessar-fogo e à construção de uma paz duradoura.

O presidente brasileiro aproveitou para destacar o papel que a ONU deveria ter na resolução de conflitos e cobrou maior protagonismo da entidade. Lula lembrou que três países presentes ao encontro são membros permanentes do Conselho de Segurança e reiterou a demanda histórica do Brasil por uma vaga no colegiado.

“O vácuo de liderança agrava esse quadro”, afirmou o presidente, que também mencionou a crise no Haiti.

G7 x G20

Lula ainda comentou sobre a existência do próprio G7, minimizando sua relevância diante do G20. “No fundo, depois do G20, não há nem necessidade de existir o G7”, declarou o petista a jornalistas, pouco depois de chegar ao Canadá.

“[O G7] existe desde 1975, desde a crise do petróleo. Os primos ricos se reúnem, mas eles estão no G20. Acho que o G20 tem mais importância, densidade humana. De qualquer forma, sou convidado desde que fui eleito em 2003 e eu participo para não dizer que eu recuso a festa dos ricos”, ironizou.

Lula ainda teve uma reunião com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e se encontrou com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski. Um compromisso com o premiê alemão, Friedrich Merz, estava previsto, mas acabou sendo cancelado.

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