Os novos dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam mudanças expressivas no retrato religioso do município de Laje, no Vale do Jiquiriçá, entre 2010 e 2022. O levantamento mostra forte retração católica, estabilidade evangélica, queda dos espíritas e um salto das religiões de matriz africana e do grupo “outras religiosidades”.
| Grupo religioso | 2010 | 2022 | Variação absoluta | Variação %* |
|---|---|---|---|---|
| Católicos | 16 640 | 12 393 | –4 247 | –25,5 % |
| Evangélicos | 3 741 | 3 796 | +55 | +1,5 % |
| Espíritas | 25 | 9 | –16 | –64,0 % |
| Umbanda/Candomblé | 28 | 93 | +65 | +232,1 % |
| Sem religião | 1 451 | 1 243 | –208 | –14,3 % |
| Outras religiosidades | 24 | 927 | +903 | +3 762,5 % |
*Variação percentual calculada sobre o total de cada grupo em 2010.
📉 Católicos perdem mais de um quarto dos fiéis
A população católica encolheu 25,5 % em 12 anos, caindo de 16,6 mil para 12,4 mil adeptos. Embora ainda represente o maior contingente religioso do município, a queda reflete a tendência regional de perda de hegemonia católica.
📈 Evangélicos se mantêm estáveis
Com leve alta de 1,5 %, o número de evangélicos passou de 3 741 para 3 796 pessoas, indicando estabilidade — diferente de outros municípios baianos, onde esse grupo cresce acima da média.
🕯️ Umbanda e Candomblé triplicam
As religiões de matriz africana registraram o avanço proporcional mais significativo: de 28 para 93 adeptos, salto de 232 %. O aumento acompanha a valorização cultural das raízes afro-brasileiras e maior visibilidade das comunidades tradicionais.
❌ Menos pessoas “sem religião”
O segmento que se declara sem religião recuou de 1 451 para 1 243 moradores (–14,3 %). O dado contrasta com o cenário nacional, onde o grupo dos “sem religião” tem crescido.
🪔 “Outras religiosidades” explodem
A categoria residual — que inclui crenças orientais, esotéricas e novos movimentos religiosos — saltou de 24 para 927 adeptos, alta de mais de 3 700 %. O número sugere diversificação acelerada do panorama espiritual lajista.
📊 O que explicam os números?
Especialistas apontam múltiplos fatores para as mudanças:
- Mobilidade religiosa: facilidade de migração de fiéis entre denominações e novas formas de culto.
- Valorização da cultura afro: maior reconhecimento de terreiros e atividades públicas de Umbanda e Candomblé.
- Novas expressões de fé: expansão de grupos espirituais não tradicionais incluídos em “outras religiosidades”.
- Contexto socioeconômico: crises podem reforçar a busca por pertencimento comunitário e respostas espirituais.
As estatísticas confirmam que Laje segue a tendência de pluralização religiosa, fenômeno que impacta não só a cultura, mas também o debate público e as políticas sociais locais.
✍️ Metodologia
Os dados foram extraídos dos Censos Demográficos de 2010 e 2022 do IBGE. Percentuais referem-se às variações internas de cada grupo religioso entre os dois recortes temporais.


