O humorista Marcelo Alves, conhecido como Alves Li Pernambucano, confessou ter assassinado a miss Serra Branca Teen da Bahia, Raissa Suellen Ferreira da Silva, de 21 anos, e ocultado o corpo. O crime ocorreu no último dia 2 de junho, data em que a jovem foi registrada como desaparecida. O caso chocou a população baiana e paranaense, sobretudo pela relação de proximidade entre o autor e a vítima.
Segundo a delegada Aline Manzatto, Marcelo chegou a oferecer a própria casa em Curitiba para que a família de Raissa, que é da Bahia, pudesse se hospedar durante as buscas pela jovem. Ele manteve contato com os parentes ao longo de oito dias, mentindo sobre seu envolvimento.
“Ele ficou dizendo que ia ajudar a achar ela, enquanto já sabia o que tinha feito”, contou Herbert Guilherme, primo da vítima.
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Confissão e localização do corpo
Na segunda-feira (9), Marcelo procurou uma delegacia e confessou o assassinato. Em seguida, conduziu a polícia até uma área de mata no município de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. O corpo de Raissa foi encontrado enrolado em uma lona e amarrado com fita adesiva.
Natural de Paulo Afonso (BA), Raissa vivia há três anos em Curitiba e se preparava para se mudar para Sorocaba (SP), onde iria começar a trabalhar. Ela foi eleita Miss Serra Branca Teen em 2020.
Marcelo conheceu a jovem aos 10 anos, em um projeto social em Paulo Afonso, e desde então mantinha relação próxima com ela e sua família.
O crime e as motivações
Segundo o relato do suspeito, no dia do crime ele buscou Raissa com o pretexto de ajudá-la a conseguir um emprego em São Paulo. Os dois almoçaram juntos e depois seguiram para a casa dele, onde Marcelo teria se declarado apaixonado. Raissa não correspondeu e, segundo o autor, houve uma discussão.
“Ele disse que ficou com ódio e descontrolado”, relatou a delegada. O humorista usou uma abraçadeira plástica para estrangular a vítima.
Após o homicídio, Marcelo teria deixado o corpo em um cômodo da casa e, dez minutos depois, voltou e constatou que Raissa estava sem vida. Ele então envolveu o corpo em uma lona, pediu ajuda ao filho, que tentou convencê-lo a se entregar, mas acabou participando da ocultação do cadáver.
O corpo foi transportado no porta-malas de um carro emprestado e enterrado na mata de Araucária.
Prisões e investigações
Marcelo Alves foi preso em flagrante por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A polícia vai solicitar a conversão da prisão para preventiva. O filho dele também foi preso por envolvimento na ocultação do corpo, pagou fiança e foi liberado.
As investigações continuam. A polícia busca esclarecer se houve violência sexual e analisar se as lesões no corpo são compatíveis com o relato do suspeito. Também será apurada a extensão da participação do filho no crime.
Defesa alega “violenta emoção”
O advogado de Marcelo, Caio Percival, afirmou à RPC que não houve premeditação, e que o crime teria sido cometido sob “violenta emoção” após uma discussão com a vítima.
“Marcelo é réu primário, tem bons antecedentes, nunca pisou numa delegacia. Infelizmente, foi arrastado pelas barras da paixão”, disse. A defesa também argumenta que a confissão voluntária e o arrependimento podem atenuar a pena.
Esse caso segue sendo investigado e gera forte comoção pública, não apenas pela brutalidade do crime, mas também pela traição de confiança entre vítima e autor. Raissa Suellen será lembrada como uma jovem promissora, marcada por beleza, carisma e sonhos interrompidos de forma trágica.


