Moradora de condomínio de luxo proíbe entrada de entregador negro em GO

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Foto: Divulgação

Um entregador de aplicativo foi vítima de racismo na noite de domingo, 25, por volta das 23h, em Goiânia, após a moradora de um condomínio de luxo se negar a liberar a entrada do homem por ele ser negro.

“Eu não vou permitir esse macaco”, escreveu ela em troca de mensagens com a gerente da hamburgueria onde ela havia feito o pedido.

De acordo com informações do UOL, o endereço da mulher estava incompleto no aplicativo, indicando apenas o condomínio, mas sem número de quadra e lote. Ao solicitar mais informações, a gerente do estabelecimento, Ana Carolina Gomes, 18 anos, foi surpreendida com as mensagens de ódio.

“Esse preto não vai entrar no meu condomínio”, disse a moradora. Enquanto Ana conversava com a cliente pelo computador, Elson Oliveira Santos estava aguardando os dados para fazer a entrega.

“Eu fiquei atônita, olhando para a tela do computador, sem saber o que fazer, porque estava com o Elson no telefone. Eu disse para ele voltar, não fazer a entrega, porque tinha acontecido um crime de ódio contra ele”, relatou Ana Carolina, que disse ainda que entregador percebeu que ela ficou calada por alguns segundos e perguntou se tinha acontecido alguma coisa.

O dono da hamburgueria, Éder Leandro Rocha, explicou que não souberam como contar para Elson o que tinha sido dito pela mulher. “Ele ficou perguntando o motivo do cancelamento. Contamos para ele, mas foi muito ruim. Ele ficou acabado o resto da noite”.

Morador de Goiânia há 16 anos, Elson é maranhense, tem 39 anos, e há mais de uma década trabalha como entregador. “De um jeito ou de outro, dói. Fico pensando nas minhas filhas vendo eu passando por isso e pensando que elas podem passar por isso também”, disse ele.

“Dói saber que existem pessoas assim. Existem muitas pessoas burras na vida”, desabafou.

Segundo o UOL, Elson, o dono e a gerente da hamburgueria vão registrar a ocorrência, nesta terça-feira, 27, na Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), em Goiânia. Inicialmente, é necessário rastrear e confirmar a identidade da suposta moradora do condomínio de luxo e, em seguida, entrar com a queixa por crime de racismo. (A Tarde)