Primeiro-ministro do Canadá diz ter ‘evidências’ de que Irã derrubou avião

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau,: em defesa dos 63 canadenses mortos no acidente aéreo - 08/01/2020 Dave Chan/AFP

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, acusou nesta quinta-feira, 9, o Irã de estar por trás da queda da aeronave ucraniana que vitimou 176 pessoas – 63 canadenses – na noite de quarta-feira 8, logo depois do ataque iraniano contra tropas americanas no Iraque.

“Temos informação de múltiplas fontes, incluídos nossos aliados e nossos serviços (que) indica que o avião foi derrubado por um míssil terra-ar iraniano. Pode ser que não tenha sido intencional”, afirmou o primeiro-ministro.

O anúncio de Trudeau se deu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter dito que “alguém pode ter cometido um erro” no Irã. “(O avião) estava voando em uma vizinhança complicada. Eles (os iranianos) podem ter se enganado. Alguns dizem que pode ter sido uma falha técnica, mas, pessoalmente, eu não acredito que seja essa a questão”, disse o americano.

Paralelamente às declarações de Trump e de Trudeau, a imprensa americana divulgou relatos de oficiais do Pentágono sobre o episódio. Segundo essas fontes, os oficiais de inteligência perceberam sinais da bateria anti-aérea iraniana sendo ativada, seguidos de uma provável explosão.

O governo iraniano, por outro lado, disse que essas declarações americanas eram “rumores ilógicos”. “Cientificamente, é impossível que um míssil atinja o avião ucraniano, e esses rumores são ilógicos”, afirmou o chefe da Organização de Aviação Civil do Irã, Ali Abedzadeh.

A queda do Boeing 737-800 da empresa Ukraine International Airlines nos arredores do aeroporto internacional de Teerã na quarta-feira 8 ocorreu poucas horas após a Guarda Revolucionária Iraniana (GRI) ter lançado uma operação de retaliação contra as tropas americanas estacionadas em bases no Iraque.

Em princípio, investigadores e setores de inteligência dos Estados Unidos e do Canadá trataram o episódio como uma falha mecânica no motor do avião. Mas cenas dos destroços começaram a emergir nas redes sociais e geraram dúvidas adicionais. Em uma delas, é mostrado um suposto destroço da ponta de um míssil terra-ar.

Supostos destroços de mísseis anti-aéreos iranianos que podem ser a causa da queda de uma aeronave civil no Irã emergiram nas redes sociais – 09/01/2020 Redes Sociais/Reprodução

O Irã nega veemente que tenha disparado o míssil e diz que não irá compartilhar os dados da caixa preta com os Estados Unidos e a empresa fabricante da aeronave, a Boeing. Alega ainda estar cumprindo as normais internacionais.Publicidade

Além das fotos do suposto míssil, um vídeo emergiu nas redes sociais mostrando o suposto momento em que a aeronave é impactada pelo projétil. Segundo o jornal americano The New York Times, o vídeo é verídico, e a trajetória do avião corresponde com a rota prevista para o voo que tinha como destino Kiev, a capital da Ucrânia.

O ataque iraniano contra tropas americanas estacionadas no Iraque ocorreu na terça-feira 7 como uma represália a morte do general e comandante das forças Quds (braço de elite da GRI), Qasem Soleimani, na sexta-feira 3.

Os Estados Unidos acusavam Soleimani de planejar ataques por meio de grupos xiitas contra as forças diplomáticas e militares americanas na região, como o ataque contra o aeroporto internacional de Bagdá, que vitimou um civil americano, e a invasão à embaixada na zona verde da capital iraquiana, em dezembro de 2019.

A tensão entre Teerã e Washington voltou a escalar em 2018, quando Trump decidiu sair unilateralmente do acordo nuclear firmado entre os dois países e mais cinco potências atômicas em 2015. Desde então, os Estados Unidos retomaram as sanções econômicas pré-acordo e estabeleceram novas restrições econômicas ao país.

Recentemente, três episódios quase levaram os dois países ao conflito direto — sendo a morte de Soleimani e o revide iraniano os que mais expuseram ambos à guerra. Antes, houve a crise dos petroleiros no Golfo Pérsico, com o abate de um drone americano pela Guarda Revolucionária em junho, e o ataque às refinarias da estatal saudita Aramco pelos rebeldes xiitas houthis em setembro de 2019. (Veja)

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