Sikêra Jr. é condenado por ofensas transfóbicas contra modelo trans que interpretou Jesus

A Justiça condenou o apresentador Sikêra Jr., da RedeTV, a pagar indenização de R$ 30 mil por agressões transfóbicas contra a modelo transexual Viviany Beleboni, que ficou famosa em 2015 por fazer o papel de Jesus Cristo crucificado em encenação durante a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo.

Conhecido pelos posicionamentos conservadores, o apresentador, admirador e admirado pela família Bolsonaro, foi processado por utilizar a imagem da modelo ao tratar de um crime cometido por um casal de mulheres lésbicas.

Segundo a Folha de S. Paulo, ao comentar o assunto, Sikêra disse que isso é um “lixo”, uma “bosta”, uma “raça desgraçada”.

No processo, ele se defendeu dizendo que em momento algum quis compará-la às assassinas e que “apenas emitiu opinião sobre movimentos que, como a Parada Gay e seus adeptos, tratam com chacota os símbolos do cristianismo”.

Em sua decisão, o juiz Sidney da Silva Braga argumentou que ficou demonstrado que Sikêra se utilizou da transexualidade e da imagem da modelo para associá-la à prática de um crime. “O fato de a autora ser artista reconhecida não autoriza que possa ter sua imagem exposta sem autorização e ser chamada de ‘raça desgraçada’ em contexto de crítica à prática de um crime que com ela não tem qualquer relação”, disse na sentença. Cabe recurso à decisão. (BN)